A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 19 de março de 2009

Soneto do Prisioneiro

Continuando as homenagens ao aniversário do meu blog, encabuladamente mostro-lhes a que considero a minha primeira poesia. Só para deixar claro, fiz umas duas poesias antes dessa, mas perdi-as e mesmo assim, lembro que eram muito ruins. Então essa fica como sendo a primeira!



Soneto do Prisioneiro

Eu podia falar...
Que seus olhos são como o sol ao entardecer,
Que se enchem de água como o mar,
Transmitindo uma beleza inesquecível,
Mas quando tais olhos começam a se fechar,
Começa uma nova fase que,para o sol, é apenas um sossego,
Mas para os olhos pode ser o começo de um longo beijo.

Eu podia falar...
Que seu olhar tem um encanto tão singular,
Que parece me prender com correntes,
Estes mesmos são feitos do mais fino tecido,
Mas que mesmo assim, ainda me prendes,
Por isso não consigo me desvencilhar,
Ou talvez eu não queira me soltar.



CA Ribeiro Neto
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* Lembrando que para ser soneto, basta apenas ter 14 versos, independente de estrofes.
* E há muito tempo aboliram a métrica dos sonetos!
* Dia de São José, não sou católico, mas queria mesmo que chovesse hoje.
* Hoje é aniversário do meu pai!
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com - Fauzinha postou uma ótima crônica sobre escolhas de vida.
www.vivipsico.blogspot.com - Os textos da Vivinha são ótimos, vocês deveriam ler e comentar!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Negue - Erasmo Carlos
Boa Sorte

quinta-feira, 12 de março de 2009

Loucura

Em comemoração ao aniversário do meu blog, posto, pela primeira vez, um texto que não é meu. 'Loucura' é uma crônica de Mário Prata - para mim, um dos maiores cronistas brasileiros - e está entrando aqui em meu blog por falar um pouco sobre a arte de escrever e além disso, ele utiliza um recurso que eu gosto e uso muito: a de imaginar como é a vida de alguém que desconheço.

Loucura


O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou. Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas.

Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, algumas minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silencio é uma loucura.

E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rodaríamos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu.

Senão, vejamos:

Na última quarta-feira, estávamos eu, um crioulinho muito bem vestido, um senhor de uns cinqüenta anos e uma velha gorda. Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles? Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados. O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num pais racista como o nosso, deve ter contribuído muito para leva-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o casamento, pensei. Ou será que não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. Ele ri, ri muito, o meu psicanalista.:

- O Ditinho é o nosso office-boy. O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe. E você não vai ter alta tão cedo..."


Mário Prata

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* É lendo crônicas como essa que percebo como ainda tenho muito o que aprender!
* Grupo Literário APPLE agora às segundas-feiras.
* Só isso, por hoje!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Gente Humilde - Chico Buarque e Vinícius de Morais

Boa Sorte

quinta-feira, 5 de março de 2009

Poesia Espiral

Bem, exatamente hoje - ainda bem que caiu numa quinta-feira - comemora-se 1 ano do meu blog! E então, Março será todo de comemoração! Terá postagens especiais, a presença do meu bonequinho aqui do lado, só durante esse mês mesmo. E eu começo as postagens especiais, postando aqui uma poesia que sempre acompanha o blog aqui ao lado, na barra de menus, mas que ninguém nunca comentou, ou falou nada. Então vamos ver o que vocês acham!


Poesia Espiral

Alegria, Alegria!
Ela gira, ela gira!
Ela quem?
A poesia!

Alergia?
Ou o que seria
Esta vontade repentina
De descrever a boemia?

Era liga?
Ou serpentina?
Aliás, importaria?
O importante é a fantasia!

CA Ribeiro Neto
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* Teoria dos Papéis Sociais ou Teoria do Interacionismo Simbólico? O que vocês acham?
* Não estou com muitas novidades, já basta o aniversário do Blog!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Deusa Urbana - Caetano Veloso

Boa Sorte

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Recaindo

Finalizando a série 'Cá entre nós', a poesia 'Recaindo' - também uma de minhas primeiras poesias - trata do êxodo rural. Na próxima semana, meu blog faz um ano de existência e o mês de Mairço será todo de festa, aqui!

RECAINDO

O chão riscado desenhando o caminho
O cinza e o beje pintam meu olhar
O azul do céu, sem nada de branco
Revela a falta de um outro azul

O amarelo colore tudo
Tudo até demais
Transforma, resseca, desperta, retrai

O preto invade o risco desenhado
A retirada é um passo já esperado
Casas grandes de chaminés, estão a espera
Vamos morar em barracos, chamados favelas

Agora o branco cobre tudo
Um branco escuro demais
Sufoca, esconde, encobre, recai

CA Ribeiro Neto
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* Estudando e entendendo o processo econômico do "Milagre" brasileiro!
* Carnaval bom, Jairzão se garante!
* Adeus Cocadas Nakenga! Tempos bons, mas tempos difíceis.
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com - Vivi Lima postou nesta terça passada, favor ler a bela crônica dela!
www.vivipsico.blogspot.com - ela também criou o blog exclusivo dela, também com um belo conto. Vale muito conferir!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Nada, estou apressado...
Boa Sorte

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Verde, cor de alerta

Como penúltima poesia da série 'Cá entre nós', 'Verde, cor de alerta' foi uma das primeiras poesias que fiz, por tanto, não liguem para algumas coisinhas que tem nela, tipo repetição exagerada de umas palavras. Ela fala da minha cor preferida - o verde - e a relação que ela tem com a esperança e a natureza.



VERDE, COR DE ALERTA

O verde é a cor da esperança.
A esperança é a ultima que morre.
O verde, então, é o ultimo a morrer.

O verde é a cor da natureza.
A natureza está morrendo.
O verde, então, está à padecer.

O verde, que é o ultimo a morrer,
Está morrendo.
A natureza é a ultima que morre.
E a esperança?
A esperança é que está morrendo.

De verde, o ser humano só pode ter os olhos.
De esperança, o ser humano só pode ter a mente.
De natureza, o ser humano tem a sí.


CA Ribeiro Neto
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* Ah, o carnaval! Ficarei em minha Fortaleza querida!
* De dia, pensando na vida, a noite, só não pensando na vida!
* Divirtam-se!
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com
Tá com um pequeno atraso, mas é bom que assim, quem não leu, pode ir lá ler os textos já postados.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: São Gonça - CD Crú - Seu Jorge

Boa Sorte

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A quem interessar possa

Continuando a série 'Cá entre nós', um tipo de poesia que sempre quis fazer. Uma espécie de poesia-conselho que, na verdade, muitas vezes só serve pro autor! Tomara que gostem!

A quem interessar possa

Surpreenda-me.
Insista sempre mais uma vez.
O impossível está mais próximo do que imaginamos
E mais distantes do que o que os outros pensam.

Surpreenda-se.
Não diga nada e faça tudo que puder.
Sua vida pode ser muito até a hora da morte,
Mas é sempre pouca para uma existência.


CA Ribeiro Neto
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* As aulas recomeçaram e está indo tudo muito bem.
* O nome do meu curso mudou e agora se chama Administração Legislativa.
* Isso aconteceu porque o meu curso saiu da área de Humanas e agora é de Administração.
* A série 'Cá entre nós' vai prosseguir por todo o mês de Fevereiro e em Março, começa as comemorações de um ano do meu blog!
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com
A Vivinha ainda não postou, mas continuem visitando!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Guardei Minha Viola - Paulinho da Viola

Boa Sorte

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Infinito ÚNIco VERSO

Uma poesia marromeno, que fala sobre a escrita em sí.

Infinito ÚNIco VERSO


Vejo poesias por aí
Na cama, no ônibus, em gente
Em música, em livros(?)
E me pergunto, aqui comigo
Como os meus serão vistos

Meus versos são loucos,
Crônicas rimadas
Falo de besteiras
Coisas sem-eira-nem-beira,
Minha vida rotineira

Mal uso ponto
Nem sei para que serve métrica
Mas escrevo com carinho
O que vejo, o que sinto;
Meus sentimentos resumidos

Não sou fã de regras
E sim, da liberdade.
Você pode ter a certeza
A originalidade é uma beleza
Para a renovação que se deseja

Mas não me peçam explicação
Pois se um ÚNIco VERSO
Significa um infinito
Inexplorado, indefinido
Imagine todo um eu-lírico.

CA Ribeiro Neto
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* As aulas voltam amanhã! \o/
* Falta um mês pro aniversário do meu blog! \o/
* Amanhã, pré-carnaval no Benfica! \o/
* Discografia completa de Nara Leão \o/
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com
Uma crônica minha sobre auto-renovação. Próxima segunda, novo texto de Vivi Lima! \o/
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Apanhei-te Cavaquinho - CD Coisas do Mundo - Nara Leão
Boa Sorte