A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Casamento (e divórcio) interrompido

'Casamento (e divórcio) interrompido' é um conto, um tanto clichê, que aborda muitas situações da nossa sociedade atual (Num vou enumerar para não ser chato). Espero que gostem. Feita no final do ano passado, mas digitada e inclusa no meu livro a pouco tempo... Essa é o quarto conto de sete da série 'Tentativas de Comédias'.


Casamento (e divórcio) interrompido


Igor e Mariana são casados há 5 meses. Ele trabalha como guitarrista freelancer e ela é dona de uma loja de moda íntima.

Quinta, sexta, sábado e domingo Igor trabalha à noite fazendo shows, enquanto Mariana faz sua própria folga na segunda-feira, dia utilizado pelos dois para fazer a feira da casa.

Na segunda segunda-feira do quinto mês de casamento, às dez horas da manhã, Mari foi acordá-lo para irem ao supermercado.

- Iguim! Vamos! Já está na hora!

- Hã? O que? Ai Meu Deus!

- Bora! Bora! Que tem promoção de frios hoje!

- Mariana, eu não aguento mais! Vamos nos separar!

- Como assim? O que aconteceu?

- Olhe, o casamento não é o que eu esperava!

- Seja específico, por favor!

- Ah, sei lá... sua voz... quando éramos namorados, não me irritava, mas ela é muito nasalizada! Não estou mais aguentando!

- Ah! então desculpe, não falo mais! Mas saiba que eu vou descobrir quem é a sua outra!

- Mariana, não tem outra! Eu só tenho você, mas tem algumas coisinhas que estão me perturbando!

- Ah! Estou te perturbando? Minha voz te perturba? Pois agora vou perturbar mesmo! Tem muita coisa em ti que eu não gosto!

- Tipo o que?

- Você ronca, seu cabelo grande entra na minha boca à noite, você suja muita louça sem precisar, seu suor é muito fedorento e o pior é que você não lava suas cuecas!

- Acabou? Tem mais? Pois agora eu vou enumerar! Não gosto dessas suas calcinhas grandes de florzinha, o perfume que você usa é nojento, seu mal-hálito quando acorda é insuportável, seu café é muito amargo e principalmente, sua voz é horrível!

- Afinal, porque você casou comigo, já que eu sou tão ruim assim?

- Porque essas coisas não eram acentuadas antes! Ter essas peculiaridades permanentemente me dão medo!

...

Mariana retirou-se chorando (aliás, isso ela já estava fazendo a muito tempo) e Igor achou conveniente arrumar uma mala e ir para a casa de um amigo.

Na terça-feira da semana seguinte, Igor foi até a loja de Mari, entrou, olhou algumas calcinhas silenciosamente. Quando ela o vê, primeiro se espanta, gritando o nome dele, depois se recompõe e aproxima-se.

- Veio falar do divórcio?

- Não. Vim falar da saudade que estou sentindo.

- Ah! Como você é ridículo, Igor! Depois de tudo que me disse, você tem coragem de vir aqui falar sobre saudade?

- Pois é, sei que falei muita coisa, mas a maior verdade de todas é que eu não sei viver sem você.

Nesse momento, Mariana percebeu que não tinha cliente na loja, olhou para sua auxiliar, esqueceu seu orgulho e agarrou Igor e o levou para a área de estoque.

Foi sutiã e manequins para tudo que é lado. Igor se espantou com a calcinha preta fio-dental que sua esposa usava. Já Mari se espantou com a tatuagem de uma guitarra em formato de “M” que seu marido fez nas costas e os dois se espantaram com tanto fogo.

Depois de realizada a segunda lua-de-mel, os dois ficaram abraçados por um bom tempo. De repente, ele se levanta e começa a mexer nos produtos da loja. Ela acha estranho, mas só fica observando-o. O guitarrista pega uma calcinha amarela, minúscula, por sinal, e se aproxima da sua mulher.

- Usa essa hoje à noite?


CA Ribeiro Neto
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* Folguinha da faculdade acabando...
* Prova de português se aproximando... tenho que estudar muito...
* Não assistam Dragon Ball, o filme, não vale a pena!
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com - Uma crônica minha, dêem uma olhada! Próxima semana entra um texto de uma das minhas companheiras de blog!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Acender As Velas (Em francês) - Nara Leão (Se um dia eu tiver uma filha, ela se chamará Nara)
Boa Sorte

quinta-feira, 9 de abril de 2009

BiAzInHaH

BiAzInHaH é uma das minhas primeiras prosas - terceira ou quarta - acho que não será tão engraçada quanto a passada, mas acho que você rirão em algum momento. Terceiro conto da série 'Tentativas de Comédias', ainda terá mais 4 por aqui! Depois volto às poesias.



BiAzInHaH


Por algum milagre do destino a topic veio vaga, tinha até canto para sentar, mesmo sendo do lado do corredor.

Eu não acreditava no que estava acontecendo: um namoro de dois anos, sem briga, sem traição (eu acho), sem besteiras, terminar assim, com um "eu não sei mais o que eu sinto por você". Logo eu, um cara tão honesto com as mulheres, respeitador, sou a prova viva que nem todos os homens são iguais.

Sentei-me do lado de uma garota que tinha três fivelas, uma camiseta baby look, o sinto, a sandália, a bolsa e o fichário tudo rosa. Respirei fundo e quando fui fechar meus olhos ela pergunta:

- Mininu, de onde tu me conhece?
- Moça, eu não sei, não tou lembrando, a gente se conhecia antes?
- Claro que xim! Ante-ontem tu foi no meu orkut!
- Me desculpe, mas eu não me lembro...
- Sério, tipo, o que você queria lá? Fuxicou e ainda por cima nem deixou scrap! O que você quer conheu?
- Hã?
- É! Comigo! Dããã...
- Tu tem certeza que quis dizer isso? Eu não mereço... hoje não...
- Aff... - e ela ainda ficou fazendo cara de emoticon, desenhos que vagam pela internet, que auxiliam as conversas de bate-papo para demonstrar sentimentos!
- Garota, admiro a sua preocupação, mas não lembro de ter ido em seu orkut, mas se fui, não foi por algo de mais. Deve ter sido para ver suas fotos, suas comunidades, ou pelo menos para rir um pouco da forma que você escreve. Não quero lhe seqüestrar, nem lhe seduzir, se nos encontramos nessa topic, foi por acaso, não estou lhe seguindo, me desculpe qualquer coisa!

Depois dessa, eu desci da topic e continuei a pé, para pensar melhor na vida, no término do namoro.

Cheguei em casa, liguei o computador, fiquei off-line no msn e entrei no orkut, que tinha seis mensagens novas:
1 vírus enrustido na mensagem de fotos de uma festa que não fui;
3 mensagens bonitinhas e chatas (um ursinho, um barquinho e uma flor);
1 mensagem da ex-namorada dizendo para eu apagar as fotos de nós dois do meu albúm de fotos e;
1 mensagem de uma tal de Biazinhah escrito assim: "dixcupa p hj, vamo ser miguxos?"

Eu não sabia se apagava todos os dados do meu orkut e deixava apenas um "não sei" na parte "quem sou eu" ou se deletava logo essa porcaria, afinal, amigos eu já tenho, ninguém ver currículo no orkut, contato profissional para um enfermeiro não é muito comum e namoro (mulher) eu não tinha sequer assinalado!


CA Ribeiro Neto
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* Folga na faculdade, aperto na Casa de Cultura...
* Mas continuo aceitando convites...
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com - Uma crônica minha!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Não me balança mais - Martinália

Boa Sorte

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Até que a escada vos separe

'Até que a escada vos separe' é uma crônica-monólogo muito ficcional. O interessante dessa crônica é como ela foi feita: ela comprova o que defendo que inspiração deve ser controlada e não, esperarmos que ela chegue. Eu estava realmente em frente a uma escada rolante, com um papel em mãos e fiz a crônica sair.
Também compondo a série 'Tentativas de Comédias', está é a segunda de um total de 7 contos.



Até que a escada vos separe


Amor, comprei uma escada rolante para nós!

Antes que me bata, me esculhambe, ria de mim, ou apenas discorde, ouça o que tenho em meu favor.

Eu estava no shopping, com uns amigos, bem em frente à uma dessas escadas, e percebi algo curioso: o tempo que se gasta numa escada rolante é pouco para uma conversa séria e muito pra não falar nada!

Além do mais, você não ocupa seu corpo com nada, ao contrário de uma escada normal, que utilizamos parte do nosso cérebro para subir os degraus e segurar no corrimão.

Assim, seu corpo e sua mente estão aptas para o que a escada rolante trás de benéfico para nós. Um casal, por exemplo, não tendo nada pra fazer, se beija. Os amigos, ao passar para o próximo andar, fazem aquelas velhas brincadeiras de cócegas ou xulipa, lembrando assim, seus tempos de meninos.

Os empresários, depois de uma reunião chata, saem comentando sobre futebol, o calor na cidade ou as “qualidades” das secretárias. E até desconhecidos, que subiram quase ao mesmo tempo, comentam como o shopping está cheio.

Eu sei que ainda nem casamos, que a casa que estamos procurando não será dúplex e o dinheiro que estávamos guardando era para o enxoval e para casa, mas a oportunidade de ter uma terapia em casa não é para todos!

Imagine uma briga nossa! Três voltinhas na escada e já estaremos revivendo a lua-de-mel. Os futuros filhos brigando? Castigo na escada rolante neles! E o sedentarismo a gente cobre com outras atividades...

Sei que está chateada... mas vai passar... você vai ver como nossa vida vai ser melhor... Tá vendo? Se tivéssemos uma escada aqui, agora, era só subirmos que tudo se resolvia!

E não! Não jogue a aliança escada a baixo!!



CA Ribeiro Neto
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* Final de disciplinas, ou seja, próxima semana estarei mais livre, podem me convidar para qualquer coisa!
* Estatuto das Cidades, Privatizações, Quorum qualificado e Estratégias... tá tudo embolado aqui... heurheuhreurh
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com - Uma crônica minha, sobre Fortaleza e, especialmente, sobre o Conjunto Ceará.

www.vivipsico.blogspot.com - blog da Vivinha, muito bom!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Fadas - Luiz Melodia e Elza Soares

Boa Sorte

quinta-feira, 26 de março de 2009

A Chacina

Encerrando as comemorações de aniversário do meu blog, posto a minha primeira prosa. 'A Chacina' é a minha primeira tentativa de crônica, como também a minha primeira tentativa de fazer uma comédia. Além de encerrar as comemorações do aniversário do blog, ela também inicia a próxima série: 'Tentativas de comédias'.


A Chacina


Ele olhava tudo aquilo de forma abismada, achava impossível acontecer o que aconteceu; a polícia chegou e o levou para a delegacia para fazer um depoimento.

Uma delegacia típica, fedorenta, varrida - mas não limpa -, paredes sujas e móveis antigos. O delegado foi bem direto ao perguntar o que ele fazia naquele local.


Ele passou as mãos no rosto e escorregou uma delas até o queixo, enquanto a outra foi para a cintura. Ele estava suado, com alguns ferimentos leves e sangue na roupa.


Aquele homem ali, em frente ao delegado, olhava fixamente a janela da sala, vendo o pouco sol que entrava por ela. Ficou muito tempo calado, sem nem se mexer, só, com a mão no queixo.O delegado já estava perdendo a paciência e repetiu a pergunta:

- Que diabo você estava fazendo ali para acontecer esse crime?


Ele olhou pro delegado e quase naturalmente falou:

- Eu estava brincando... foi um acidente... fugiu do meu controle e foi isso...


Nesse momento, ele não estava mais abismado, estava até calmo. Depois da resposta dele, o delegado perguntou:

- O senhor gostaria de nos contar o que aconteceu?


Ele se mexeu na cadeira, fez como quem fosse se levantar, percebeu a mão do policial indo para a arma e então, desistiu de ficar em pé.

- Foi um acidente, não vou falar mais não... Quero falar com minha família e chamar um advogado!

- Pois ligue para quem quiser naquele telefone e espere naquela sala.


Ele já estava saindo, quando resolveu tirar uma dúvida. Se virou, olhou para o delegado e indagou:

- Eu matei sete gatos, vou responder por 49 assassinatos ?

CA Ribeiro Neto
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* Se vocês esboçarem ao menos uma mexidinha em um dos lados da boca, já fico feliz...
* Nunca pensei que aprenderia mais de Aquiraz pesquisando em frente a um computador do que indo até lá...
* Planejamento urbano é de arrancar os cabelos!
* Só isso!
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com - tem um texto ótimo da Fauzinha lá e segunda deve ser um meu!
www.vivipsico.blogspot.com - A Vivinha escreve otimamente bem!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Tiro de Misericórdia - João Bosco

Boa Sorte

quinta-feira, 19 de março de 2009

Soneto do Prisioneiro

Continuando as homenagens ao aniversário do meu blog, encabuladamente mostro-lhes a que considero a minha primeira poesia. Só para deixar claro, fiz umas duas poesias antes dessa, mas perdi-as e mesmo assim, lembro que eram muito ruins. Então essa fica como sendo a primeira!



Soneto do Prisioneiro

Eu podia falar...
Que seus olhos são como o sol ao entardecer,
Que se enchem de água como o mar,
Transmitindo uma beleza inesquecível,
Mas quando tais olhos começam a se fechar,
Começa uma nova fase que,para o sol, é apenas um sossego,
Mas para os olhos pode ser o começo de um longo beijo.

Eu podia falar...
Que seu olhar tem um encanto tão singular,
Que parece me prender com correntes,
Estes mesmos são feitos do mais fino tecido,
Mas que mesmo assim, ainda me prendes,
Por isso não consigo me desvencilhar,
Ou talvez eu não queira me soltar.



CA Ribeiro Neto
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* Lembrando que para ser soneto, basta apenas ter 14 versos, independente de estrofes.
* E há muito tempo aboliram a métrica dos sonetos!
* Dia de São José, não sou católico, mas queria mesmo que chovesse hoje.
* Hoje é aniversário do meu pai!
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com - Fauzinha postou uma ótima crônica sobre escolhas de vida.
www.vivipsico.blogspot.com - Os textos da Vivinha são ótimos, vocês deveriam ler e comentar!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Negue - Erasmo Carlos
Boa Sorte

quinta-feira, 12 de março de 2009

Loucura

Em comemoração ao aniversário do meu blog, posto, pela primeira vez, um texto que não é meu. 'Loucura' é uma crônica de Mário Prata - para mim, um dos maiores cronistas brasileiros - e está entrando aqui em meu blog por falar um pouco sobre a arte de escrever e além disso, ele utiliza um recurso que eu gosto e uso muito: a de imaginar como é a vida de alguém que desconheço.

Loucura


O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou. Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas.

Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, algumas minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silencio é uma loucura.

E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rodaríamos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu.

Senão, vejamos:

Na última quarta-feira, estávamos eu, um crioulinho muito bem vestido, um senhor de uns cinqüenta anos e uma velha gorda. Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles? Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados. O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num pais racista como o nosso, deve ter contribuído muito para leva-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o casamento, pensei. Ou será que não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. Ele ri, ri muito, o meu psicanalista.:

- O Ditinho é o nosso office-boy. O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe. E você não vai ter alta tão cedo..."


Mário Prata

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* É lendo crônicas como essa que percebo como ainda tenho muito o que aprender!
* Grupo Literário APPLE agora às segundas-feiras.
* Só isso, por hoje!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Gente Humilde - Chico Buarque e Vinícius de Morais

Boa Sorte

quinta-feira, 5 de março de 2009

Poesia Espiral

Bem, exatamente hoje - ainda bem que caiu numa quinta-feira - comemora-se 1 ano do meu blog! E então, Março será todo de comemoração! Terá postagens especiais, a presença do meu bonequinho aqui do lado, só durante esse mês mesmo. E eu começo as postagens especiais, postando aqui uma poesia que sempre acompanha o blog aqui ao lado, na barra de menus, mas que ninguém nunca comentou, ou falou nada. Então vamos ver o que vocês acham!


Poesia Espiral

Alegria, Alegria!
Ela gira, ela gira!
Ela quem?
A poesia!

Alergia?
Ou o que seria
Esta vontade repentina
De descrever a boemia?

Era liga?
Ou serpentina?
Aliás, importaria?
O importante é a fantasia!

CA Ribeiro Neto
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* Teoria dos Papéis Sociais ou Teoria do Interacionismo Simbólico? O que vocês acham?
* Não estou com muitas novidades, já basta o aniversário do Blog!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Deusa Urbana - Caetano Veloso

Boa Sorte