A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 15 de abril de 2010

1º Editorial do 5º NEM - Saudade

1º Editorial porque nesse NEM fizemos dois editoriais: o meu, na primeira página, e o segundo, da Marcella Facó, que postarei próxima semana, na última. Falamos sobre saudade e toda a bagagem sentimental que esta palavra traz. Quem nunca sentiu saudade, que atire a primeira pedra de indiferença.



Editorial

“Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu” Chico Buarque

Sim. A saudade pode ser triste. Pode carregar a dor de uma separação, seja essa vinculada a uma paixão, família, amizade e etc. O sentimento de perda é algo superado por poucos de nós e os que já superaram, sofreram bastante.

O melhor amigo que se mudou para longe, para acompanhar o emprego do pai; os pais que já se foram; a prima quase irmã, que foi para o exterior à estudo; o brinquedo que você quebrou, num instante de raiva e que depois sua mãe jogou fora; a lembrança dos velhinhos, dos seus tempos de mocidade e a amargura por não retrocederem na idade; o ex-namorado, que também é seu vizinho, e que estuda no mesmo colégio, que freqüenta a mesma academia e tem o mesmo círculo de amizade e que, mesmo assim, faz uma falta danada.

Por isso esse tema foi escolhido, de forma unânime, pelo Grupo Literário APPLE. Todos já sentiram saudade, tanto nós que fazemos o NEM, como você, leitor.

Foi nessa identificação que buscamos tocá-los, seja cutucando a ferida, seja fazendo cafuné. Mas para deixar clara a nossa real intenção, termino minhas palavras com o trecho da música “Que nem jiló”:

“Saudade: Meu remédio é cantar!” Luiz Gonzaga.


CA Ribeiro Neto
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* 11 livros já comprados na Bienal, acho que já tenho livros suficientes para daqui há 2 anos...
* Mas ainda estou enamorando um do João do Rio, além do Dom Quixote.
* Tudo em paz.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Nara Leão - Minha Namorada

LENDO NO MOMENTO: O que um aldeão pode fazer em favor da fé - Deodato Maria da Silva - Pg 80.

Boa Sorte

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Significados - 4º NEM - Chão

Então, antes da Marcella Facó apresentar o editorial do NEM Chão, eu tinha escrito uma prosa rimada para ser o editorial. Como ela fez um também, resolvemos variar e colocar o dela como editorial e eu transformei a minha prosa em uma poesia sobre os significados do chão. Para a postagem aqui no blog, eu retirei uma parte do final, pois este estava muito tosco e essa nova versão que irá para o e-NEM.


Significados

Chão. Nome duro e forte
Como o significado pede.
Firme sempre que é preciso,
Oscilante em terrenos imprecisos.
Segura a frágil rosa
E o grande furacão.

O chão pode não parecer flexível,
Mas me explique com clareza,
A variabilidade e a destreza
De seus significados escondidos?

Ele ou a sua ausência,
Podem demonstrar carências
Diante de problemas.
O que seria da cegueira,
Do momento de tristeza,
No cantinho da parede?

O chão segura a queda,
Aceita o abraço,
Causa muitos machucados,
Se molha com muitos prantos,
Recebe rezas de vários santos
Para que a natureza floresça
E abasteça o sertão,
Utopia ou devoção,
Se você quer explicação.

Ele não se aborrece
Ao ser pisoteado,
Melhor é ser lembrado
Pela firmeza de si mesmo.
Muito melhor é não ter medo
De não ser sempre útil,
Já que esse é o último
Pensamento que ele tem.

Afinal, a certeza que ele tem,
É de que sempre vai ter alguém
Para ajudar,
Mesmo que seja para guardar
Um corpo em silêncio.
Um trabalho tão intenso,
Intitulado de paz eterna.

Merece a nossa gratidão,
Pois aguenta a humana indecisão:
Na tristeza, saem em choradeira,
Dizendo “perdi meu chão”,
Na alegria, pulam em demasia,
Gritando um “sai do chão!”.

Na seca, no alagamento,
Na areia ou no cimento,
No tempo bom ou no ruim,
Ele sempre estará ali.
Para te receber e te perdoar,
Para te entender ou apanhar.
Para te fazer companhia,
Até quando você quer ficar sozinha.
Sua presença é certeza,
Onde quer que você esteja.

CA Ribeiro Neto
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* Olha a bienal aí, negada! Vou muitos dias, caso queiram companhia!
* Tudo em sua normalidade.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Acender as Velas - Nara Leão
LENDO NO MOMENTO: O que pode um aldeão em favor da fé - Deodato Maria da Silva - Pg 45
Boa Sorte

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Editorial do 4º NEM - Chão

Pois bem, em contraste com o NEM passado que falava se sonhos, escolhemos para sequência o tema chão, entendendo-o como a realidade, o material e o próprio chão que pisamos. Esse editorial não foi feito por mim e sim por nossa nobre colega, e membra do Blogs de Quinta, Marcella Facó. Então, na próxima semana, postarei o texto meu que integrou esse NEM. A Marília Maia me emprestou um exemplar do 1º NEM, porém, o editorial dele nada tem a acrescentar a essa série, então, eu farei a versão e-NEM para quem se interessar em lê-lo.



Editorial

Com o tempo, a escrita ficou marcada pela ficção, por palavras exageradas, por deliciosos delírios de homens brilhantes. Mas escrever é mais do que isso, é expor pensamentos e visões em uma folha de papel. É criar um vínculo entre viventes e a sua mente.


Não precisa haver algo irreal em um texto para haver magia, pois esta está nas mãos do escritor, em todo seu ser, na verdade, e nos olhos do leitor.


Até mesmo a pior realidade pode criar a mais bela magia. Abdicar do real é não ser completo, é fingir que um mundo, uma eternidade não existem e você não faz parte dela.


Por isso, esse NEM vem, de várias formas, falar sobre o chão e não sobre o céu. Falar sobre o que vemos, vivemos, somos e pensamos. Algumas vezes, unindo o exagero dos sonhos e a discrepante realidade.


Delicie-se com essas palavras, sejam elas frias como a realidade de muitos, sejam elas cruéis como a verdade de grandes povos, sejam elas doces como a visão de uma criança ou o olhar de um apaixonado, sejam elas esperançosas como a alma de um idealista.

Marcella Facó
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* A vida anda calma e a alma vive parada.
* Para quem não conseguiu ver o vídeo que coloquei aqui semana passada, leiam o texto nesse outro link.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Um Toque - Luiz Melodia

LENDO NO MOMENTO: Dando uma pausa nos livros literários, para ler um religioso.

Boa Sorte

quinta-feira, 25 de março de 2010

Editorial do 3º NEM - Sonho

O 3º NEM tinha como tema os sonhos; e o editorial que fiz, este que posto agora, gerou muita polêmica, até recebi piadinhas irônicas por tais palavras as quais mantenho com orgulho de quem acredita na democratização das artes e da literatura.

Algumas pessoas acreditam que não são capazes de escrever um texto. Elas mal imaginam que, para obter tal êxito, basta ter duas potencialidades fáceis de conseguir:

* Saber se expressar em uma língua, não necessariamente estando exatamente correto;
* Sonhar, imaginar, criar ou qualquer outra palavra sinônima a essas.

A primeira é só pra transmitir para o campo das palavras o que o segundo requisito nos diz.

Porque o sonhar, esse sim tem o seu brilho, seu voo, é ele que possibilita histórias loucas, bonitas e/ou encantadoras, capazes de fazer rir, chorar; arrepiar a pele macia da menina; hipnotizar os olhos dos maldosos; acalentar a prece de quem pede; gritar, no silêncio das palavras, um pedido de liberdade.

Ah! A liberdade! Liberdade é a única regra dos sonhos, sonhos não tem limites, não tem privações, nem momento e nem lugar. Sonhar é viajar, passear por outros mundos, por outras vidas, por outras decisões, encantar os misteriosos corações, declarar o que estava oprimido, com a certeza de não ficar desiludido, e ainda por cima traz consigo, a possibilidade dessas situações.

Porque uma pessoa pode até não escrever, mas o texto certamente já está escrito na mente dela, através dos sonhos.

CA Ribeiro Neto
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* Para que entendam melhor o que eu quero dizer, assistam a um vídeo (clique aqui) e imaginem se o taxista da história tivesse o hábito de escrever!
* Tudo normal!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: O Samba me Cantou - Luciana Mello

LENDO NO MOMENTO: Contos de Vista - Elisa Lucinda

Boa Sorte

quinta-feira, 18 de março de 2010

Editorial do 2º NEM

Começando mais uma série, 'Editoriais do NEM', infelizmente começo com o editorial da 2ª edição, pois fizeram o favor de oferecer meu único exemplar do 1º NEM a uma professora sem me consultar... Para quem não conhece, o NEM é a publicação literária feita pelo APPLE, agora chamado de Grupo Eufonia de Literatura, mas infelizmente este projeto está parado. Na época, a intensão era que revezássemos na editoração, mas - sabe-se lá porque - eu fiz quase todos. Os NEM's ficaram marcados pelas pequenas polêmicas causadas pelo público-leitor do CEFET, pelas ideias progressistas que sempre apoiamos, não tão aceitas assim. Vejam só.


Editorial do 2º NEM


" Poesia é a emoção (pessoal) através da palavra", definição retirada do livro 'Estudo dirigido da Gramática Histórica e Teoria da Literatura'".


Encarar a poesia como forma de expressão subjetiva e intrapessoal – tanto para quem escreve, quanto para o leitor – nos faz pensar nas regras impostas a ela. Exigir rima e métrica seria deixar a poesia mais inteligente ou seria castrar a criatividade do autor?


A poesia é fruto de um ou mais sentimentos, e a habilidade do escritor consiste, justamente, na transformação dos sentimentos em palavras. Dessa forma, sua poesia será construída de acordo com o que ele sente.


Se 'n' poesias falaram sobre amor, foram escritas 'n' textos diferentes, pois cada poesia é única, assim como todo amor.


É contraditório, então, querer julgar a poesia pelas palavras utilizadas e não pela ideia que é transmitida; definir um texto em poético ou não-poético pela presença ou não de rimas e métricas, se o que é relevante é o sentimentalismo do autor.


Leiam agora o nosso 2º NEM, quer seja poesia ou não, leiam nossos sentimentos.


CA Ribeiro Neto

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* Vou tentar providenciar a 1ª edição, mas não garanto nada!
* Quem quiser as edições do NEM em versão e-book é só me pedir!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: O crime não compensa - Jackson do Pandeiro - CD O Rei do Ritmo

LENDO NO MOMENTO: Estou num ritmo de leitura muito avançado, da quinta passada para cá terminei o Almanaque Armorial do Ariano Suassuna, li o Benjamim do Chico Buarque e comecei hoje o Corpo de Drummond - Pg. 13

Boa Sorte

quinta-feira, 11 de março de 2010

Que sejam bem felizes: Clara, Cartola e Eu

Encerrando a série 'Nossa Língua Portuguesa', 'Que sejam bem felizes: Clara, Cartola e Eu' é uma crônica que fala da música 'Que seja bem feliz' do Cartola. Ela mereceu destaque por uma percepção minha em relação a conjugação do verbo contentar. Já explico tudo na própria crônica! Como ando discutindo com alguns membros do Blog's de Quinta sobre isso, deixo claro que o narrador desse texto, assim como a grande maioria dos meus textos, são eu-líricos, que as vezes tem características minhas, mas não necessariamente me representam.


Que sejam bem felizes: Cartola, Clara e Eu


Sabe quando você escuta uma música várias vezes, mas só presta atenção em algo peculiar muito depois? Primeiro de tudo, que a música é de um autor que adoro: Cartola; e que a voz é uma das que mais sou apaixonado: Clara Nunes. Isso já serviria para eu ter prestado atenção nela há mais tempo.

O nome da música é 'Que seja bem feliz', e, para mim, o final dela é genial. A música fala de uma despedida, seja de um filho deixando a mãe, seja de um homem nordestino indo 'tentar a vida' no sul, seja de uma mulher deixando a família pelo sonho de ser cantora de rádio, o que for, a música continua sempre bonita.

“Se bom pra você for/ Podes partir, amor/ E que sejas feliz/ E muito bem feliz”. Vejam que no começo vem logo a permissão para a partida. Os versos são pequenos, pois não há muito o que se falar em momentos como esse; e a repetição dos votos de felicidades também mostra o pouco que há para se falar. Isso também lembra que, lendo friamente, parece ser falta de rima; mas quem nunca repetiu uma frase em um momento de emoção que atire a primeira pedra. São essas frases repetidas que fotografamos em nossas mentes.

“Que Deus e a natureza/ As aves nos seus ninhos/ As flores pela estrada/ Perfumem todos os caminhos”. Quando li essa segunda estrofe, lembrei-me de colorir as coisas. Assim penso que pensou Cartola, e que penso que pensou o eu-lírico, como se fosse para mostrar ao receptor a veracidade do desejo de felicidade, apesar da dor da separação.

“Eu aqui ficarei/ Por você rezarei/ Todas as tardes/ Ao bater, Ave-Maria”. A terceira estrofe, assim como a quarta, foram as que chamaram a minha atenção. Pois o último verso propositalmente me dá duas interpretações. Ao bater o quê? Todas as tardes, o sino da igreja para se rezar Ave Maria? Ou eu-lírico fala do bater da saudade, todas as tardes, ao lembrar de como é bom ter aquela pessoa ao pôr do sol, e a Ave Maria é uma interjeição utilizada pelo sentimento para dá aquela travada na garganta?

“Que sejas bem feliz/ E leves-me na mente/ Que cresçam suas glórias/ E as minhas lágrimas contentes”. Bem, o último verso dessa última estrofe foi a que achei mais genial, porque foi utilizando da boa gramática que ele chegou a um magnífico duplo sentido. A primeira ideia que se tem é de que, com as glórias alcançadas, as lágrimas dela sairiam contentes, felizes, realizadas. Porém, escutando e percebendo semelhanças comigo, percebi que esse 'contentes' também pode ser o presente do modo subjuntivo do verbo contentar. Daí a interpretação mudaria de figura, pois estaríamos falando que o receptor teria que se contentar com as lágrimas do eu-lírico daquele instante, pois uma vez saindo de casa, aquelas lágrimas seriam as últimas lembranças. Fotografei: aquelas lágrimas seriam as últimas lembranças.

Não sei se Cartola quis mesmo fazer esse duplo sentido, mas parece-me que Clara passou isso em sua interpretação, pois não tem como dizer que é qualquer uma das possibilidades só de escutá-la. Inexplicavelmente ela consegue passar todas as situações, tudo de uma vez. Isso só mostra que Clara Nunes é uma deusa, que Cartola é um rei, e que eu só sei fazer crônica.


CA Ribeiro Neto
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* Próxima semana relembrarei do NEM aqui no Blog!
* Por enquanto, nada demais!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Recado - Gonzaguinha - CD Geral
LENDO NO MOMENTO: Almanaque Armorial - Ariano Suassuna - Pg. 275.
Boa Sorte

quinta-feira, 4 de março de 2010

Afavelmente Factual

A última poesia desta série 'Nossa Língua Portuguesa', 'Afavelmente factual' é uma poesia de 2007 - período em que eu saía da matemática e ia para a política e legislação - . Ela fala de uma relação homem & mulher, onde o homem - quase sempre errados, consegue o perdão da mulher - quase sempre benevolentes.



Afavelmente factual


Segurando a sua mão,
Seguramente
Faço uma reflexão.
Bem facilmente
Deixo-a sem reação,
Indecisamente
Pedes-me compaixão.

Toda essa situação,
Essencialmente
Carregada de emoção,
Casualmente
Falas em conciliação,
Factualmente
Fico sem argumentação.

Proponho uma solução,
Provavelmente
Incluso o meu perdão.
Imediatamente
Aceitas sem hesitação.
Afavelmente
Seguras a minha mão.

CA Ribeiro Neto
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* Sexta, dia 5, este meu blog comemora 2 anos de existência!!!
* A internet voltou!!!!!!!!!!

* Ou seja, com o tempo lerei os textos dessa semana e os da semana passada!
* Tudo normal por aqui.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: O que é? O que é? - Gonzaguinha

LENDO NO MOMENTO: Almanaque Armorial - Ariano Suassuna - Pg. 237

Boa Sorte!