A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Do Desenho Urbano... 8/11

O 8° capítulo do conto 'Do Desenho Urbano à Sombra das Árvores' é o menor de todos, mas é o que modifica a história, puxando para o grande final. Capítulo anteriores logo abaixo desse.


VIII

Conforme as bandeiradas foram acontecendo, mais militantes dos dois partidos eram convencidos pelo casal, de que não precisavam brigar pela causa partidária.

Essa onda de pacifismo foi crescendo cada vez mais, pois quem gostava, passava para frente essa idéia.

Certo dia, saiu no jornal uma foto que até bem pouco tempo atrás, não se imaginava.

Na capa do jornal mais conhecido da cidade, sai uma foto de Mário e Marta, de mãos dadas, cada um com a camisa do seu partido. E logo acima da foto, em tamanho exagerado, a pergunta:

Aliança?


C. A. Ribeiro Neto.
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* Feliz Natal para os Cristãos.
* Feliz feriado aos Ateus.
* Próxima postagem já será em 2009, então, desejo a todos muita esperança, pois com ela, podemos sonhar com o resto.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Modinha - Tom Jobim e Nana Caymmi
Boa Sorte

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Do Desenho Urbano à Sombra das Árvores 7/11

Mais um capítulo do conto de Mário e Marta, onde o amor deles se consagra em olhares, gestos e ações. Capítulos passados abaixo.


VII

Marta chegou primeiro ao barzinho, pediu, mais uma vez, um suco industrialmente fabricado, mas agora, acompanhado de uma dose de wodka.

Mário chegou pouco tempo depois. Foi se aproximando dela, rindo e apontando para a árvore em que a Marta estava embaixo. Eles se abraçam e começaram a conversar:

- Bela sombra você escolheu para nós!

- Acho que já nos especializamos nisso, hein?

(Risos de ambas as partes)

- Se me permite, vou de cerveja! - Mário falou isso pensando na conta que, tecnicamente, ele iria pagar!

- Pode ficar à vontade! Faz tempo que coordena bandeirada?

...

A conversa entre eles é íntima, por isso não cabe a nós entrarmos nesses detalhes. Vamos logo ao que interessa.

Depois de muita conversa e bebida, depois de uma mão ir no pescoço do outro, depois de vários olhares, eles de beijam.

Nesse exato momento, Mário descobre algo mais bonito que a voz de Marta, aquele beijo era mágico. Já Marta, conseguiu o que poucos humanos conseguem: não pensar em nada. Ou ela pensou que não estava pensando em nada? Ou ela pensou, estar pensando que não estava pensando em nada? Enfim, foi um momento diferente do normal.

Eles dois ficaram do melhor jeito que deveriam ficar: apenas ficaram e sem pensar em mais nada. Quando já estava bastante tarde, Mário quis ir embora, com medo de não ter mais ônibus, mas Marta insistiu em deixá-lo em casa. Era exatamente o que o destino esperava para selar esse amor. Eles acabaram dormindo juntos.


C. A. Ribeiro Neto
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* Tudo relax, tudo tranquilo, numa boa!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: A menina dança - Novos Baianos, versão de Baque Lírico.
Boa Sorte

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Do Desenho Urbano... 6/11

Sexto capítulo do conto 'Do desenho urbano à sombra das árvores' e mais um diálogo entre Mário e Marta. Capítulos anteriores abaixo.


VI

Mário tenta esquecer a garota que conheceu por acaso. Ele vê a diferença social entre eles como um empecilho, mas não consegue esquecer a voz de Marta, a mais bonita que já escutou.

Marta está lutando para não ver a situação partidária como um problema e o fato de ter o número do telefone dele, lhe trouxe uma dor de cabeça: ela quer ligar quando não tem bandeirada! E pior, não liga, pois acha que seria uma atitude precoce.

Várias vezes ela pega o telefone, liga para ele e desliga antes de começar a chamar. Até que um dia, sua coragem veio à tona e ligou.

Mário, por não ter o número dela, não reconheceu quem tava lhe ligando, atendeu, e depois dela dizer “alô”, soube quem era a pessoa do outro lado da linha:

- Marta, que surpresa!

- Que nada! Devo estar te atrapalhando, né?

- De maneira alguma! Estava mesmo me recordando da sua voz, é bom que assim, eu me lembro com maior clareza!

- Quer dizer que já estava me esquecendo, é? Bom saber...

- E exatamente por não querer lhe esquecer, que eu queria marcar um encontro, um bate-papo, sei lá!

- Boa idéia – Marta está ansiosa e nervosa de novo!

- Então, que tal tomarmos uma cerveja, um suco, ou qualquer coisa que sirva como desculpa para sairmos!

- Tem um barzinho legal, perto daquela praça que nos encontramos. Pode ser lá?

- Contando que tenha sombra de árvore!

- Tem sim!

(Risos de ambas as partes)

- Então, hoje às 19 horas?

- Certíssimo!

- Até mais!

- Até!

C. A. Ribeiro Neto
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* Como diria um amigo meu: Aih ladrão!
* Sem novidades.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Mar Grande - Paulinho da Viola (se garante)

Boa Sorte

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Do Desenho Urbano à Sombra das Árvores 5/11

Chegando na metade do conto! Quem está chegando agora, os primeiros capítulos estão abaixo.

V

Mário, na sede do partido, recebe bandeiras e santinhos da coligação e vai, junto de mais 15 jovens para o cruzamento das avenidas Gilberto Santos com Guilherme Sousa.

Marta, na sua estréia no cargo, também pega bandeiras e santinhos e também vai para o mesmo cruzamento. Ela sobe no banco da frente da kombi e leva o pessoal pras avenidas.

Quando ela chega lá, Mário já estava com sua equipe. Eles se reconhecem e vão falar um com o outro:

- Olá, Mário!

- Olá, você ainda se lembra do meu nome, Marta? Pensei que já tinha se esquecido!

- E vejo que se lembra também do meu!

- PEC, hein? Quem diria!

- Pois é! Sou militante há 4 anos! E tu?

- Eu tou no PCS há 7! Deixa só eu entregar as bandeiras direitinho pros meninos que aí a gente conversa melhor, tá?

- Tá, eu também tenho que fazer o mesmo!

E cada um foi pra sua kombi, distribuíram as coisas e foram para a sombra de uma grande árvore. Durante esse processo, os dois ficaram pensando que pessoas de partidos opostos podem sim se dar bem.
Quando se encontraram, Mário começou a conversa:

- Nos encontrarmos na sombra já é uma tradição nossa, né?

- É verdade! Que bom que temos bom gosto para escolher lugar, hein?

(Risos de ambas as partes)
E os dois conversaram bastante, até que tiveram que intervir numa batalha de bandeiras opostas. Quando conseguiram apaziguar a situação, os dois juntos deram uma lição de moral em seus coordenados, explicando-os que não precisavam brigar por disputa eleitoral.
Depois dessa, cada equipe se preparou para ir embora. Antes de se despedirem, uma pequena conversa:

- Mário, eu até já tomei de conta do seu telefone, mas não sei o seu número!

- Pois é! Aproveita e anota aí: 9977-5533.

- Anotado! Quando tiver uma nova bandeirada, eu te ligo para saber para onde você vai!

- Tá certo. (se abraçaram)

- Tchau!

- Tchau!

C. A. Ribeiro Neto.
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* Fazendo academia: mais dores e disposição, então.
* É difícil ter boas férias quando não se tem dinheiro...
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ESCUTANDO NO MOMENTO: A Estrada e O Violeiro - Nara Leão (ow mulher pr'eu gostar!)

Boa Sorte.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Do Desenho Urbano... 4/11

Quarto capítulo, é agora que entra ar política! Pra quem começar a ler meu blog agora, os primeiros capítulos estão logo abaixo desse.

Do Desenho Urbano à Sombra das Árvores

IV

Era período de eleições, os dois principais partidos da cidade cuidaram logo nas coligações e nos nomes para candidatos a Prefeito.

O PCS, partido da Causa Social, lançou logo seu candidato. Luís César, um ex-favelado, ex-líder comunitário, e agora, grande político da região. Como deputado federal, defendeu um projeto audacioso para a educação, mas foi barrado pela oposição.

O PEC, Partido da Esquerda Capitalista, indicou para a prefeitura, um cara que representa bem a idéia do partido, Lima Chagas é um mega-empresário, mas sua preocupação com os mais necessitados comovia muitos.

Mário é militante do PCS, apaixonado por política, viu o então candidato Luís César crescer no partido e se espelhava bastante nele. Marta, por sua vez, é filiada ao PEC. Já fazia um tempo que ela estava com esse grupo e esse ano foi promovida a coordenadora de um grupo de bandeiradas de semáforo, cargo que, coincidentemente, Mário também exercia no PCS.


C. A. Ribeiro Neto
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* Abarcando o mundo com os braços nessas férias...
* Só
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Você pediu e eu já vou daqui - Nando Reis
Boa Sorte

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

DUàSA 3/11

Prosseguindo com o conto 'Do Desenho Urbano à Sombra das Árvores'. Lê-lo.


III

A aula de Marta acabou às 12 horas, ela passou na lanchonete em frente a faculdade, comprou um suco industrialmente fabricado e foi para a praça onde o encontro foi marcado, que fica na próxima esquina.

Quando ela chega lá, percebe que a praça é grande demais para servir como único ponto de referência, e que eles deviam ter marcado um lugar mais específico, mas ela resolve se sentar no único banco com sombra que havia na praça.

Chega o horário de almoço de Mário e ele corre para o canto marcado. No caminho, percebe que não sabe quem ela é, não olhou o rosto dela, não se lembra da roupa que ela usava, então, quando chegou na praça, foi para um orelhão que estava do lado de um banco, o único que estava na sombra.

O celular do cara começa a tocar, mas Marta não precisa nem atender, reconheceu-o no orelhão e chamou-o para o banco:

- Moço! Quer atender seu próprio celular?

(Risos de ambas as partes)
Mário se senta ao lado da moça e se apresenta:

- Muito obrigado por guardar meu celular! Meu nome é Mário...

- O meu é Marta! Muito prazer – falou ela, meio que interrompendo o que ele falava, com um certo nervosismo. Marta era assim mesmo, se agoniava quando estava apreensiva – Essa vida está uma correria só, né?

- É verdade. A sociedade atualmente está nos engolindo com esse excesso de compromissos de horários marcados. Tudo isso aconteceu porque eu tava tentando descontar o sono que eu não deixei na cama. Estudar e trabalhar não é fácil, mas se meu sonho exige isso, por mim, tudo bem.

- Que bonito, qual o seu sonho?

- Me formar em Direito, servir minha profissão e também tenho planos políticos.

- Que massa! Eu faço Ciências Sociais aqui nessa faculdade. A política também está em meus planos!

- Eu adoraria conversar sobre isso, mas tenho que voltar pro meu trabalho. Quando você quer pela devolução do celular?

- Nada! O que estou fazendo é uma gentileza!

- Ops! Então me desculpe, você sabe como está o mundo hoje! E obrigado pela generosidade!

- Por nada! A gente se encontra por aí! Tchau!

- Tchau!

C. A. Ribeiro Neto
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* Férias, doce férias!
* Novas aquisições literárias: Dona Flor e Seus Dois Maridos, Estorvo, Benjamim e Triste Fim de Policarpo Quaresma.
* Só.
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Escutando no momento: Zé Ferreira, Trepa no coqueiro - Martinho da Vila
Boa Sorte

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Do Desenho Urbano à Sombra das Árvores 2/11

Continuando o conto 'Do desenho urbano à sombra das árvores', eis o segundo capítulo. Ver o primeiro logo abaixo desse.

II

Mário chega no trabalho meio atrasado, leva uma bronca do seu chefe – Sr. Vieira era legal muito de vez em quando – e depois vai para sua mesa.

Ser auxiliar de um advogado não era muito fácil, mas sempre havia tempos livres, o que Mário utilizava para fazer algum trabalho do curso de Direito.

Justamente nesse dia havia trabalho desde cedo. Começou a se concentrar no trabalho, mas depois de quinze minutos resolveu olhar no celular, as horas que faltavam pro almoço. Celular? Celular? Cadê o celular? A primeira coisa que vem à cabeça é roubo, mas não houve situação para que isso acontecesse.

Viu que seu chefe estava ocupado e saiu atrás de um orelhão para ligar pro seu celular.

Tocou uma vez, duas, alguém atendeu no meio da terceira. Uma voz feminina, que parecia já ter escutado antes, a mais linda que já escutou:

- Alô?

- Alô! Eu gostaria de saber onde você encontrou esse celular.

- Ah! Ainda bem que você ligou! Eu estava sentada ao seu lado no ônibus, quando você deixou o celular cair e saiu correndo!

- Ah! obrigado então!

- Então, como faço para te entregar seu celular?

- Onde você está agora? Posso ir buscar na hora do almoço.

- Você conhece a praça Aristides Nogueira?

- Conheço sim, podemos marcar lá?

- Sim,sim, que horas?

- Doze e meia dá para você?

- Dá sim, até mais tarde.

- Até! E Obrigado.

C. A. Ribeiro Neto
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* Adoro fazer suspense...
* Vem novidade por aí...
* Paulo Henrique, o título sugere mudanças, elas virão sim. Quanto a haver técnica no coloquialismo, também é verdade. Esse conto é uma comédia muito leve, então ele pede uma leitura que faça o leitor relaxar. Não só a escolha do vocabulário, como também a pontuação e a inversão da visão do narrador são elementos dessa técnica.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Carinhoso - Pixinguinha
Boa Sorte