Como quinto conto da série "Tentativas de Comédias", 'Futebol, pipoca, mulher e guaraná' conta a história de um casal na difícil tarefa de assistir futebol. Primeiramente quero deixar bem claro que o narrador do conto não reflete meus pensamentos. Eu dou características próprias aos meus narradores e esse é bem machista... Eu sei que o conto é grande, mas leiam, por favor!
Futebol, pipoca, mulher e guaraná
Helena bem que tentou, mas se não deu para superar o futebol, resolveu juntar-se a ele. O problema é que ela decidiu isso logo na final do campeonato estadual, contra o arqui-rival. Assim que o namorado Leandro acordou no domingo, ela já disse:
- Benhê, quero assistir ao jogo contigo...
- Como é que é?
- É! Num quero mais discutir com você por querer sua atenção na hora do jogo.
- Você tem certeza, né? Olha, lá no bar do Emersão, onde eu assisto, o pessoal bagunça mesmo!
- Ah não, amor! Quero assistir aqui em casa, ao menos nesse primeiro jogo, para eu ir me acostumando! Faz isso por mim, por favor!
Como não tinha como negar, Leandro aceitou não curtir o jogo com os amigos, para assistir o jogo em casa, com a namorada, sem cerveja e com pipoca – mulher sempre faz pipoca para comer como petisco na hora do jogo... elas devem ver alguma semelhança à cinema... mas tudo bem.
Quinze e quarenta e cinco da tarde. A turma, que já está concentrada desde as treze horas, já ligaram várias vezes, chamando-o para assistir o jogo no Emersão, mas trato é trato e ele desligou o celular para não ser infernizado. Helena chega com a pipoca e guaraná – elas também sempre servem junto com a pipoca, guaraná, talvez para que a coloração do refrigerante nos lembre a cerveja – se senta no sofá toda animada e já chega anunciando como será os noventa minutos seguintes:
- Amor, quais são os times que vão brigar, hoje? É brigar que fala, né?
- Lena, os times são Manchester da Parangaba contra Real Messejana. E eles vão jogar, jogar! Não sei de onde você tirou esta história de “brigar”!
- Ah, Andro, por isso que eu pedi para assistirmos em casa, eu tenho que me acostumar com essas coisas! Nós vamos torcer para quem?
- Pro Real Messejana, de amarelo e cinza.
- Eu num vou torcer para eles não! Não gostei deles! Essa roupa não combina! Vou torcer para esse aí, esse de camisa preta!
- Meu amorzinho, esse é o juiz, ele num tá disputando...
- Mas se ele num tá jogando, o que ele tá fazendo no meio da quadra? Pelo amor de Deus, será que tudo que é organizado por homens tem que ser assim?
- Lena, me diz uma coisa, o que a palavra “juiz” te lembra?
- A pessoa que decide as coisas que os outros não têm capacidade de decidirem sozinhos!
- Érrr, não deixa de ser. Mas então, se eu chamei ele de juiz, deve ser para fazer algo parecido com o que tu falou, né não?
- Ai é! Meu amor é tão inteligente!
- Amor, obrigado, mas olhe, precisamos fazer silêncio para entender o que está acontecendo, tá?
- Tá.
Três minutos depois (estou sendo generoso a dar 3 minutos de silêncio).
- Mas amor, como você me pede silêncio se quando eu passo em frente ao Emersão tá todo mundo gritando?
- É que você só passa na hora do gol!
- Mas quando eu passei pela última vez, vocês não estavam comemorando, estavam falando palavrões!
- Certamente, era porque tinha sido gol do adversário! Faz silêncio, meu amor!
- Tá, tá bom!
Um minuto e meio depois (a minha generosidade também depende dos fatos do jogo).
- Agora essa! Impedimento!
- Amor, o que foi que aconteceu aí? O que é impedimento?
- Você tem certeza que quer que eu explique impedimento?
- Por favor... que é para eu entender isso aí...
- Lá vai, presta atenção. Quando um time está atacando e toca a bola para um jogador lá da frente, esse jogador não pode estar à frente de dois dos jogadores adversários, contando com o goleiro, senão ele estaria levando muita vantagem no lance.
- Como assim, vantagem? Se ele tá ali, problema dos inimigos, num tavam perto por descuido, azar o deles!
- É mesmo... enfim, mas essa é a regra... pera aí, você entendeu, assim, de primeira?
- Entendi, na hora do toque, o jogador não pode estar adiantado perante dois adversários!
- Num acredito! Você entendeu! Nenhuma mulher faz isso! Isso é histórico!
- Ora, mas que bobagem, a gente aprende isso fácil, em shopping!
- Em shopping, como assim?
- Vá numa liquidação antes do horário de funcionamento da loja e fique com os dedos a frente da mulher ao lado, e você saberá o que é levar vantagem!
- Amor, eu te amo!
- Também, querido... ei... você quer mesmo assistir esse jogo... (abriu o decote).
- Hã? O quê?
- Com tanta coisa para gente fazer, você quer mesmo assistir jogo... (puxou a saia, mostrando as pernas bem torneadas).
Leandro não resistiu, desligou a tv, afinal, para ver pernas torneadas, melhor sendo de mulher, mais ainda sendo a da mulher que ama.
CA Ribeiro Neto
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Da Cor do Pecado - Nara Leão
Boa Sorte