A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Esse Pedaço de Paper

Reapresentando Zeca do Riacho, meu primeiro pseudônimo, 'Esse pedaço de paper' foi a primeira poesia que fiz por ele! Apesar de ter algumas passagens meio bestinhas, eu adoro essa poesia e principalmente o final.

ESSE PEDAÇO DE PAPER

Seu garçon me arranjou
Esse pedaço de paper
Preu podê iscrivinhá
O que sinto pr'essa muié
E essa tal disilusão
Abarcada c'a solidão
pro que ela num me quer

Esse lito de cachaça
Que tá'qui na minha frente,
Tem um motivo bem justo
De sumir tão de repente,
Pois ou eu morro em bebedeira
Ou no mei duma peleja,
Que eu tou de sangue quente.

Acabou a minha fala,
Acabou a minha bebida
Num quero ir pra casa
Mas queria uma dormida
Vou embora c'essa mágoa,
Vou deixá que a chuva enxágua
A falta da minha querida.

Zeca do Riacho
(CA Ribeiro Neto)
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* Férias se aproximando...
* www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Base de Guantánamo - Disco Zii e Zie - Caetano Veloso
Boa Sorte

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sai de mim

À pedido do Cabeça, que clama por poesias no Blog's de Quinta!, farei mais uma repassada pelos meus pseudônimos: Magali do Riacho, Wallace Lago e Zeca do Riacho. Essa reapresentação será de 5 poesias: uma da Magali (Sai de mim), uma do Zeca (Esse pedaço de paper) e 3 do Wallace (Indiscrição de Versos; Coisas da vida e; Ao menos uma coisa eu acertei) - o que mais ganhou elogios na primeira apresentação, não sei porque... Magali é uma mulher que, como muitas outras mulheres, sofrem muito no lado sentimental. Intensa como ela é, sempre abre em mim a dúvida se consegui entrar no mundo feminino e escrever como uma mulher faria. Então, me digam vocês se cheguei ao menos perto.


Sai de mim

Sai daqui, hoje não,
Eu quero repousar!
Estou cansada de tudo isso,
Vou me virar e chorar.
Foi mentira, traição
Quero me separar.

Sai daqui, solidão,
Hoje eu quero dançar!
Companhia chata, essa sua,
Pode se retirar.
Eu gosto dessa canção
Quero me libertar.


Hoje não, solidão, meu perdão
Você não vai ter
Eu fico nua, crua, na rua
Mas não vou me perder
Sai de mim, és ruim, é o fim
Respeite o meu querer
Tudo vai mudar, curar, vou lutar
Não espere pra ver.


Magali do Riacho
(CA Ribeiro Neto)
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* Agora de carteira de motorista, posso trabalhar de taxista...
* Terça passada o Grupo Literário APPLE fez 3 anos de existência! Ainda que em encontros escassos, o APPLE anda bem produtivo.
* Menos de um mês para as férias...
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ESCUTANDO NO MOMENTO: La Voglia la Pazzia - Vinícius de Morais e Ornella Vanoni
Boa Sorte

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Reforma Política

Não tenho muitos leitores, mas o pouco que tenho pode ser dividido entre os que gostam de política e os que não gostam! Para os que gostam, eles sempre esperam esses meus momentos de análise política, confesso, com um tanto de opinião pessoal... Venho tentando mudar isso e acho que esse agora é o que menos tem opinião minha. Quanto aos que não gostam de política, peço que esperem mais uma quinta e, acima de tudo, peço que leiam mesmo assim!


Reforma Política




Reforma Política é um dos assuntos mais discutidos atualmente. Vou falar um pouco sobre esse assunto para os que não acompanham o noticiário ficarem informados e para o que acompanham entenderem. Antes de tudo deixo claro que falarei apenas dos dois pontos mais polêmicos – Sistema de Listagem e Financiamento Público de Campanha – e não de tudo que aborda a Reforma – Verticalização das Coligações, Fidelidade Partidária etc.

Primeiramente, o Sistema de Listagem. Por esse Sistema, não votaremos mais em um candidato de nossa escolha, e sim na legenda do Partido que concordamos com a ideologia. O Partido, por sua vez, faz uma listagem dos políticos numa ordem de prioridade para entrar nas vagas do legislativo – Congresso Nacional, Assembléia Legislativa e Câmara Municipal.

Utilizemos como exemplo um Partido PX. O PX determina que sua lista terá em primeiro o Fulano, depois o Sicrano, em seguida o Beltrano, em quarto o Zé e assim por diante. Quando chega nas eleições, o PX recebe votos que atingem o Coeficiente Eleitoral três vezes, então entra os três primeiros da lista: Fulano, Sicrano e Beltrano. O Zé então, é o primeiro suplente, caso um dos três que entraram tenham que sair.

As vantagens desse sistema é que, não muda tanto assim, o sistema de como é escolhido quem entra nas vagas legislativas: é o coeficiente eleitoral que decide quantos entram. Outra vantagem é que isso diminui a força dos Partidos Nanicos. Eles são caracterizados por ter apenas um nome forte e, com esse novo sistema os Partidos cada vez mais precisarão da ajuda de todos.

As desvantagens também são importantes. A primeira é que haverá uma grande vantagem para os caciques. Não haverá possibilidade de renovação do legislativo, pois certamente os primeiros da lista já serão os que compõe as casas legislativas e que, convenhamos, não vêm fazendo muito pela população. E o que é pior, na esperança de eleger um político bom que não está à frente na lista, teremos que colocar um provável político corrupto antes.

Outra ponto que não sei ao certo se é bom ou ruim, é que diminuirá a personalização do voto. Imaginem o exemplo: você quer ser candidato a deputado estadual, filia-se a um Partido e se candidata ao cargo. Na lista do seu Partido você é o vigésimo para entrar. Que chances reais você tem? Com a certeza de que não entrará, porque irá fazer uma campanha forte? Se você tem “votos certos” em você, como pedirá para alguém votar no seu Partido, sabendo que não vai lhe adiantar de nada? Em outras palavras, acabará a vontade de votar em alguém, seja por interesse, seja por confiança. E esse é os dois lados da moeda, se por um lado impede votos o “ah, vou votar nele porque ele é meu amigo e me prometeu uma coisinha lá”, também impede o “Não me importa qual é o partido dele, ele é honesto e quero que ele entre”.

O Financiamento Público de Campanha é menos complicado, mas não menos polêmico. De forma resumida seria dizer que as campanhas dos candidatos seriam pagas por dinheiro público e não por dinheiro privado. Existem vantagens muito boas, mas há também desvantagens a considerar.

A vantagem maior é a transparência. Se um candidato recebe vinte mil reais para a campanha, ele tem que gastar exatos vinte mil reais. Pode parecer que não, mas isso é fácil de fiscalizar e o TSE realmente fiscaliza. E, se por um acaso o candidato alegar sobra de dinheiro para ficar com o dinheiro, como é feito atualmente, o dinheiro volta aos cofres públicos, impedindo o candidato de entrar no pleito eleitoral só para juntar um dinheirinho.

Outra vantagem seria, mais uma vez, a diminuição dos Partidos Nanicos. Esse dinheiro seria distribuído proporcionalmente aos Partidos, conforme sua representação nas casas legislativas. O Partido que tem mais deputados recebe mais, em contrapartida tem mais deputados para tentar reeleger. Já os Partidos Pequenos, que tem um ou nenhum Deputado na Assembléia receberão menos e portanto, promoverão menos propaganda e espaço para aquela história de apenas um só homem forte no Partido.

A desvantagem é explicar para a população que o governo vai deixar de investir em educação, saúde, segurança, entre outros, para dar dinheiro para políticos. Realmente, é complicado fazer isso, pois esses direitos da população já estão tão ineficientes que não sei se realmente seria uma troca benéfica para a população.

Talvez vocês entenderam a minha opinião dos dois pontos aí em cima, mas acima de tudo, é necessário que vocês pensem no que concordam e no que não concordam. Desejo uma boa reflexão para vocês!


CA Ribeiro Neto
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* Se não perceberam a minha opinião sobre a Reforma, favor me perguntar no msn!
* Prova sobre pesquisas de opinião, você não sabem o que a Imprensa esconde da gente sobre essas pesquisas...
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Rebel Rebel - Seu Jorge
Boa Sorte

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Viciado em viciar

Amigos, com 'Viciado em viciar' encerro a série 'Tentativas de comédias'. Essa também não será das mais engraçadas, confesso. Mas todos esses contos fazem parte de uma construção, de pesquisa e experimentação. Já tenho outras comédias que acredito estarem bem melhor que essas, mas as que postei aqui são tão ou mais importantes quanto as outras, devido a essa evolução. Como estou bem mais prosista do que poeta, não sei se na próxima semana terá poesias por aqui... decido depois...


Viciado em viciar


Olá, meu nome é Marcos. Estou sem fumar há seis meses, mas estou aqui para contar a minha história para vocês, amigos do Tabagistas Anônimos!

Comecei a fumar aos dezessete anos e daí não parei mais até seis meses atrás, quando comemorei meus trinta e nove anos. Resolvi parar de fumar porque reconheci que tinha um problema e também para ter uma vida melhor, mas não sei bem se consegui.

Logo depois que parei de fumar, foi muito difícil ver outras pessoas fumando. Mas meu problema não é esse. Primeiro de tudo, para ajudar neste processo, passei a evitar o que mais me dava vontade de pegar um cigarro: bebida e sexo.

Parei de beber, e também de sair com os amigos, eu não agüentava ver eles bebendo e eu não.

Como eu estava solteiro, evitei o sexo enquanto desse.

Por ter parado de beber, comecei a dispensar os convites dos meus amigos para sair e fiquei mais solitário. Para ir me acostumando, fui saindo sozinho, pedindo um suco, mas a solidão continuava e ainda por cima, achei muito sem graça tomar suco sem comer nada, então passei a merendar nos cantos que eu ia.

Por ter parado de fazer sexo, passei a me masturbar. Descobri que na falta de sexo, a vontade de fumar se transfere para a masturbação. Cortei a masturbação e fui para o chocolate, que, segundo dizem, dá prazer.

Conclusão, comecei a me viciar em merendas e chocolates. Engordei muito em três meses. Não sei dizer o peso, pois tinha vergonha de subir numa balança de farmácia. E para resolver esse novo problema, procurei uma academia de musculação.

Como sou muito vaidoso, quis conquistar minha boa forma física de volta e acabei me engajando totalmente no mundo esportivo. Academia todos os dias durante três horas logo pela manhã, comida à base de fibra, frutas, verduras e tudo mais de saudável que tinha e à noite ainda voltava a pé do trabalho para casa, para fazer uma caminhadazinha. Ou seja, me viciei na vida fitness! Foram dois meses dessa forma até perceber que tinha algo de errado. Então fui procurar ajuda na internet.

Este último mês, para mim, foi todo de pesquisa, atrás de entender o que está se passando comigo. Já engordei um pouco, porque andei precisando de uns chocolates, porque descobri que internet também me dá vontade de fumar! Já estou com medo de me viciar em pesquisas na internet. Aliás, estou chegando a conclusão de que estou viciado em viciar! Por isso vim aqui hoje, para pedir ajuda, pois não encontrei nada na internet parecido com o meu caso e afinal de contas, tudo começou com a porra do cigarro!


CA Ribeiro Neto
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* Sem novidades, ou ainda não...
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Janeiros - Roberta Sá

Boa Sorte

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sobre os mini-parquinhos

Penúltimo conto da série 'Tentativas de Comédias', 'Sobre mini-parquinhos' é uma crônica um tanto ácida sobre aqueles parquinhos infantis que tem em shoppings. Espero que gostem.


Sobre mini-parquinhos de shoppings




Chego ao shopping por volta das dezessete horas, geralmente durante a semana, pois no sábado e domingo é muito barulho. Peço apenas um suco de laranja 300 ml porque estou de dieta e vou me posicionar na praça de alimentação. Procuro sempre sentar na mesma mesa para ter sempre a mesma visão: o mini-parque feito para as criancinhas das mães que não têm capacidade de gastar dinheiro e cuidar delas ao mesmo tempo. Aí eu fico lá, observando aqueles seres adoráveis, que não tem preocupação nenhuma, a não ser com quanto tempo irá durar a brincadeira.

Confesso que já tirei algumas conclusões. Primeiro, cada vez mais fica claro a relação de carinho existente entre as crianças e suas babás! É um amor tão sincero, tão puro, que poderia até gerar inveja em muitas mães.

A conclusão que tiro das mães é que, cada vez mais elas estão recebendo mais, ou estão simplesmente gastando mais. Pois já não há mais braços para tantas sacolas. E o que é pior: quando elas vão buscar a filha e a babá no parquinho, ao invés dela jogar as sacolas para a babá carregar, ela paga pelo divertimento da criança e sai caminhando sem olhar para a cara de felicidade da menina.

Outra coisa que já observei é que as garotas que trabalham nesses locais não sabem tratar as crianças como elas merecem! Por exemplo, no escorregador, as crianças não sobem mais as escadas, as mulheres já pegam os meninos e colocam no ponto de descer! Sem falar que elas também não deixam eles correr! Não é por mal, elas querem segurar a mão das crianças, mas fazendo assim, impedem a correria tão prazerosa da infância. E ainda tem umas músicas... ou eu era besta demais no meu tempo, ou a Xuxa desaprendeu a fazê-las!

Tem uma coisa lá, também, que eu não concordo de jeito algum: Vídeo-game! Ora, se é para tirar os meninos de casa, então não é para botar em frente da tv de novo! Tantos outros brinquedos lá no ambiente e as crianças com a cara num quadrado luminoso... isso não está certo, não!

Acabei de perceber que eu só estou falando mal! Afinal, eu venho para este canto sempre, não é por esses problemas acima mencionados, e sim para ver essas crianças brincando! Tem coisa mais bonita que um sorriso de criança? Aquela corridinha disritmada? Aqueles inícios de amizades? Sabe, apesar de todas as mudanças que ocorreram no estilo de vida infantil, ser criança é sempre bom!


CA Ribeiro Neto
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* Guardei um segredo porque tenho a superstição de que, quando conto algo que quero que aconteça, ela não dá certo. Mas agora que já deu certo, eu conto: Tirei minha carteira de motorista! Carona só se interarem a gazoza!
* Feriado amanhã, dia do trabalhador. Ah, como eu queria comemorar esse dia...
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Renúncia - Nelson Gonçalves

Boa Sorte

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Futebol, pipoca, mulher e guaraná

Como quinto conto da série "Tentativas de Comédias", 'Futebol, pipoca, mulher e guaraná' conta a história de um casal na difícil tarefa de assistir futebol. Primeiramente quero deixar bem claro que o narrador do conto não reflete meus pensamentos. Eu dou características próprias aos meus narradores e esse é bem machista... Eu sei que o conto é grande, mas leiam, por favor!


Futebol, pipoca, mulher e guaraná


Helena bem que tentou, mas se não deu para superar o futebol, resolveu juntar-se a ele. O problema é que ela decidiu isso logo na final do campeonato estadual, contra o arqui-rival. Assim que o namorado Leandro acordou no domingo, ela já disse:

- Benhê, quero assistir ao jogo contigo...

- Como é que é?

- É! Num quero mais discutir com você por querer sua atenção na hora do jogo.

- Você tem certeza, né? Olha, lá no bar do Emersão, onde eu assisto, o pessoal bagunça mesmo!

- Ah não, amor! Quero assistir aqui em casa, ao menos nesse primeiro jogo, para eu ir me acostumando! Faz isso por mim, por favor!

Como não tinha como negar, Leandro aceitou não curtir o jogo com os amigos, para assistir o jogo em casa, com a namorada, sem cerveja e com pipoca – mulher sempre faz pipoca para comer como petisco na hora do jogo... elas devem ver alguma semelhança à cinema... mas tudo bem.

Quinze e quarenta e cinco da tarde. A turma, que já está concentrada desde as treze horas, já ligaram várias vezes, chamando-o para assistir o jogo no Emersão, mas trato é trato e ele desligou o celular para não ser infernizado. Helena chega com a pipoca e guaraná – elas também sempre servem junto com a pipoca, guaraná, talvez para que a coloração do refrigerante nos lembre a cerveja – se senta no sofá toda animada e já chega anunciando como será os noventa minutos seguintes:

- Amor, quais são os times que vão brigar, hoje? É brigar que fala, né?

- Lena, os times são Manchester da Parangaba contra Real Messejana. E eles vão jogar, jogar! Não sei de onde você tirou esta história de “brigar”!

- Ah, Andro, por isso que eu pedi para assistirmos em casa, eu tenho que me acostumar com essas coisas! Nós vamos torcer para quem?

- Pro Real Messejana, de amarelo e cinza.

- Eu num vou torcer para eles não! Não gostei deles! Essa roupa não combina! Vou torcer para esse aí, esse de camisa preta!

- Meu amorzinho, esse é o juiz, ele num tá disputando...

- Mas se ele num tá jogando, o que ele tá fazendo no meio da quadra? Pelo amor de Deus, será que tudo que é organizado por homens tem que ser assim?

- Lena, me diz uma coisa, o que a palavra “juiz” te lembra?

- A pessoa que decide as coisas que os outros não têm capacidade de decidirem sozinhos!

- Érrr, não deixa de ser. Mas então, se eu chamei ele de juiz, deve ser para fazer algo parecido com o que tu falou, né não?

- Ai é! Meu amor é tão inteligente!

- Amor, obrigado, mas olhe, precisamos fazer silêncio para entender o que está acontecendo, tá?

- Tá.

Três minutos depois (estou sendo generoso a dar 3 minutos de silêncio).

- Mas amor, como você me pede silêncio se quando eu passo em frente ao Emersão tá todo mundo gritando?

- É que você só passa na hora do gol!

- Mas quando eu passei pela última vez, vocês não estavam comemorando, estavam falando palavrões!

- Certamente, era porque tinha sido gol do adversário! Faz silêncio, meu amor!

- Tá, tá bom!

Um minuto e meio depois (a minha generosidade também depende dos fatos do jogo).

- Agora essa! Impedimento!

- Amor, o que foi que aconteceu aí? O que é impedimento?

- Você tem certeza que quer que eu explique impedimento?

- Por favor... que é para eu entender isso aí...

- Lá vai, presta atenção. Quando um time está atacando e toca a bola para um jogador lá da frente, esse jogador não pode estar à frente de dois dos jogadores adversários, contando com o goleiro, senão ele estaria levando muita vantagem no lance.

- Como assim, vantagem? Se ele tá ali, problema dos inimigos, num tavam perto por descuido, azar o deles!

- É mesmo... enfim, mas essa é a regra... pera aí, você entendeu, assim, de primeira?

- Entendi, na hora do toque, o jogador não pode estar adiantado perante dois adversários!

- Num acredito! Você entendeu! Nenhuma mulher faz isso! Isso é histórico!

- Ora, mas que bobagem, a gente aprende isso fácil, em shopping!

- Em shopping, como assim?

- Vá numa liquidação antes do horário de funcionamento da loja e fique com os dedos a frente da mulher ao lado, e você saberá o que é levar vantagem!

- Amor, eu te amo!

- Também, querido... ei... você quer mesmo assistir esse jogo... (abriu o decote).

- Hã? O quê?

- Com tanta coisa para gente fazer, você quer mesmo assistir jogo... (puxou a saia, mostrando as pernas bem torneadas).

Leandro não resistiu, desligou a tv, afinal, para ver pernas torneadas, melhor sendo de mulher, mais ainda sendo a da mulher que ama.



CA Ribeiro Neto
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* Amanhã, stand up com Oscar Filho, do CQC. Já comprei meu ingresso!
* Hoje é o Dia Internacional do Livro!
* Novidades, só próxima semana!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Da Cor do Pecado - Nara Leão
Boa Sorte

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Casamento (e divórcio) interrompido

'Casamento (e divórcio) interrompido' é um conto, um tanto clichê, que aborda muitas situações da nossa sociedade atual (Num vou enumerar para não ser chato). Espero que gostem. Feita no final do ano passado, mas digitada e inclusa no meu livro a pouco tempo... Essa é o quarto conto de sete da série 'Tentativas de Comédias'.


Casamento (e divórcio) interrompido


Igor e Mariana são casados há 5 meses. Ele trabalha como guitarrista freelancer e ela é dona de uma loja de moda íntima.

Quinta, sexta, sábado e domingo Igor trabalha à noite fazendo shows, enquanto Mariana faz sua própria folga na segunda-feira, dia utilizado pelos dois para fazer a feira da casa.

Na segunda segunda-feira do quinto mês de casamento, às dez horas da manhã, Mari foi acordá-lo para irem ao supermercado.

- Iguim! Vamos! Já está na hora!

- Hã? O que? Ai Meu Deus!

- Bora! Bora! Que tem promoção de frios hoje!

- Mariana, eu não aguento mais! Vamos nos separar!

- Como assim? O que aconteceu?

- Olhe, o casamento não é o que eu esperava!

- Seja específico, por favor!

- Ah, sei lá... sua voz... quando éramos namorados, não me irritava, mas ela é muito nasalizada! Não estou mais aguentando!

- Ah! então desculpe, não falo mais! Mas saiba que eu vou descobrir quem é a sua outra!

- Mariana, não tem outra! Eu só tenho você, mas tem algumas coisinhas que estão me perturbando!

- Ah! Estou te perturbando? Minha voz te perturba? Pois agora vou perturbar mesmo! Tem muita coisa em ti que eu não gosto!

- Tipo o que?

- Você ronca, seu cabelo grande entra na minha boca à noite, você suja muita louça sem precisar, seu suor é muito fedorento e o pior é que você não lava suas cuecas!

- Acabou? Tem mais? Pois agora eu vou enumerar! Não gosto dessas suas calcinhas grandes de florzinha, o perfume que você usa é nojento, seu mal-hálito quando acorda é insuportável, seu café é muito amargo e principalmente, sua voz é horrível!

- Afinal, porque você casou comigo, já que eu sou tão ruim assim?

- Porque essas coisas não eram acentuadas antes! Ter essas peculiaridades permanentemente me dão medo!

...

Mariana retirou-se chorando (aliás, isso ela já estava fazendo a muito tempo) e Igor achou conveniente arrumar uma mala e ir para a casa de um amigo.

Na terça-feira da semana seguinte, Igor foi até a loja de Mari, entrou, olhou algumas calcinhas silenciosamente. Quando ela o vê, primeiro se espanta, gritando o nome dele, depois se recompõe e aproxima-se.

- Veio falar do divórcio?

- Não. Vim falar da saudade que estou sentindo.

- Ah! Como você é ridículo, Igor! Depois de tudo que me disse, você tem coragem de vir aqui falar sobre saudade?

- Pois é, sei que falei muita coisa, mas a maior verdade de todas é que eu não sei viver sem você.

Nesse momento, Mariana percebeu que não tinha cliente na loja, olhou para sua auxiliar, esqueceu seu orgulho e agarrou Igor e o levou para a área de estoque.

Foi sutiã e manequins para tudo que é lado. Igor se espantou com a calcinha preta fio-dental que sua esposa usava. Já Mari se espantou com a tatuagem de uma guitarra em formato de “M” que seu marido fez nas costas e os dois se espantaram com tanto fogo.

Depois de realizada a segunda lua-de-mel, os dois ficaram abraçados por um bom tempo. De repente, ele se levanta e começa a mexer nos produtos da loja. Ela acha estranho, mas só fica observando-o. O guitarrista pega uma calcinha amarela, minúscula, por sinal, e se aproxima da sua mulher.

- Usa essa hoje à noite?


CA Ribeiro Neto
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* Folguinha da faculdade acabando...
* Prova de português se aproximando... tenho que estudar muito...
* Não assistam Dragon Ball, o filme, não vale a pena!
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www.aondeeuestavamesmo.blogspot.com - Uma crônica minha, dêem uma olhada! Próxima semana entra um texto de uma das minhas companheiras de blog!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Acender As Velas (Em francês) - Nara Leão (Se um dia eu tiver uma filha, ela se chamará Nara)
Boa Sorte