A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fortaleza, minha querida - parte 1

Bem, fazendo um registro da cidade, eis algumas coisinhas que sei e que quero compartilhar. Para quem não conhece muito do mapa de Fortaleza, favor olhar aqui.


Fortaleza, minha querida.

No texto passado falei das nuvens na cidade-amante, e é óbvio que estava falando de Fortaleza. Afinal, acho que todos sabem da admiração que tenho por esse lugar. Vou falar, então, de suas peculiaridades do passado, do presente e das atemporais.
O mar é algo muito importante para Fortaleza. Até por orientação cartográfica: se você estiver de frente para a Barra do Ceará, Orla do Pirambu, Praia de Iracema, Beira-Mar, Titanzinho, estará virado para o Norte da Rosa dos Ventos.
Já quem estiver na Praia do Futuro, Sabiaguaba e Abreulândia estará na porta de entrada do vento, pois é nesse sentido diagonal que a brisa marítima entra na cidade. E aí fica a dica: independentemente de onde estiver em Fortaleza, se quiser saber se vai chover ou não, basta ficar de frente para onde seria as primeiras praias citadas e olhar para o seu nordeste, que seria a direção das segundas praias citadas; se tiver nuvens escuras vindo de lá, é porque é muito provável que chova. Não sei se ficou claro, mas tudo bem...
Essas nuvens marítimas vêm do meio do atlântico carregadas de vento frio, que traz consigo outra característica peculiar da cidade, o vento que é tão forte e que ameniza o calor louco que tem por aqui. Hoje em dia as sentimos menos, devido aos enormes prédios que foram postos em nossa orla. Mas o vento ainda corre por nossas ruas xadrez.
As ruas xadrez são a parte projetada da cidade, que começou no Centro e que ao longo do tempo se estendeu para bairros vizinhos. Para quem não conhece, ruas xadrez são o entrelaçado das vias iguais a um tabuleiro, formando sempre quadrados iguais para casas e comércios. Há muita divergência se esse sistema é bom ou não para o fluxo da cidade. Uns dizem que dá lógica ao trânsito e foi esse o motivo de implantarmos, outros dizem que eles fazem o veículo parar muito em cruzamentos ao invés de dar uniformidade ao caminho. Enfim, deixo a discussão para os arquitetos.
Esse xadrez todo foi uma ideia importada da França, numa época que todas as ideias eram importadas de lá. Nessa época, finalzinho do século XIX, tudo aqui lembrava Paris. Inclusive a literatura. E foi daí que surgiu a Padaria Espiritual, totalmente inspirada no Modernismo europeu e que trazia para cá as ideias inovadoras e popularizadoras que os Andrades divulgaram no Rio só em 22. Entenderam? O Modernismo brasileiro nasceu aqui! Adolfo Caminha, Antônio Bezerra, Antônio Sales e muitos outros fizeram da Padaria um acontecimento único. Eles traziam tudo que a Semana de 22 trouxe, com uma coisinha cearense a mais: a molecagem. Vejam só o artigo 16 do Estatuto da Padaria Espiritual:

“Aquele que durante uma sessão não disser uma pilhéria de espírito, pelo menos, fica obrigado a pagar no sábado café para todos os colegas. Quem disser uma pilhéria superiormente fina, pode ser dispensado da multa da semana seguinte.”


Outro marco da irreverência fortalezense foi o caso do Bode Ioiô. Este personagem hoje está empalhado no Museu do Ceará, para que todos possam ver sua imponência. Ioiô rondava as ruas do Centro e era muito querido por todos que passavam pelo local. Inclusive, as pessoas que o alimentavam, dando-o comidas e bebidas – sobretudo as alcoólicas. Seu nome se deu porque a casa de seu “dono” – aspas porque todos eram dono dele, na verdade – ficava no Mucuripe e o bode ia e voltava sozinho da casa para o Centro (vide distância no mapa). Talvez pelo vicio da bebida. Seu ápice foi quando pegaram seu nome e registraram como candidato a vereador de Fortaleza. E ganhou. Só não pôde assumir porque não sabia ler e escrever – besteira.
Próxima semana continuo outras histórias de Fortaleza, como a origem do termo “Queima quengaral”, “baitola” e a famosa Vaia ao Sol. Sobre o motivo de ser chamada Terra da Luz e a curiosidade no nascer e no pôr do sol.


CA Ribeiro Neto
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* Cheguei à marca de 15 livros lidos no ano. Para quem tinha a média de 9 por ano, acho que melhorei.
* 2010 ainda não acabou e devo aumentar esse número.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Espelho - Diogo Nogueira.

LENDO NO MOMENTO: Contos de Fadas - Ed. Jorge Zahar - Pg. 165 // Dom Casmurro e os Discos Voadores - Machado de Assis e Lucio Manfredi - Cap. 2

Boa Sorte

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O alívio de toda a cidade-amante

Hermes me pediu um texto sobre as nuvens que tanto amenizam nosso calor cearense, e daí está o resultado do desafio.



O alívio de toda a cidade-amante



Andar sempre foi meu hábito. Troco uma viagem curta de ônibus por uma caminhada longa facilmente. Afinal, é andando que mais penso na minha vida, como mais descubro as soluções dos meus problemas, como conheço mais e mais essa minha cidade-amante, como crio inspiração para meus textos, como arranjo tempo para uma ou outra ligação pendente.
Deixo bem claro que faço isso por prazer! Se eu for fazer caminhada como prática física, considero logo uma obrigação e então perco totalmente a vontade. Tem que ser totalmente voluntário, sem um objetivo escondido.
Mas os não-andarilhos questionam o sol cearense como empecilho fundamental para tal atividade, julgando-o que o custo-benefício não valesse tanto a pena. Realmente, a temperatura daqui está cada vez mais massante e não lhes tiro a razão.
A questão é que andar pela cidade é uma arte. Você tem que fazer a leitura do território. Perceber para onde a sombra está caindo; o quão arborizado é a rua; e, principalmente, como estão as nuvens sobre nós.
Se a cidade-amante é marítima e quente, o mar-amante à sua frente há de evaporar gotinhas. Não é nada suficiente para fazer chover diariamente, nem mensalmente, mas é o que precisamos para se ter nuvem, na maioria das vezes. Quando um floco branco desses chega sobre nós, é um alivio tão grande, que até ateu agradece a Deus por enviar tamanha graça! Já tive a ideia tola de ficar andando ao mesmo ritmo da nuvem para não perder sua sombra. Não deu muito certo porque era um dia de muito vento e ela correu de mim... mas posso dizer que tentei.
Engraçado ver alguns textos falando de como é bonito o céu azul, sem nada de nuvens. Já eu considero que céu bonito é céu com nuvem, malhado. Até para dar uma descontinuada. Sem falar que nuvem é sempre esperança de chuva; e chuva é alivio, é graça, é um choro de alegria de toda a cidade-amante.


CA Ribeiro Neto
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* Tudo bem comigo, e com você?
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Consolação - Vinicius de Morais, Toquinho e Clara Nunes

LENDO NO MOMENTO: Entradas e Bandeiras - Fernando Gabeira - Pg. 156 // Ladrão de Cadáveres - Patricia Mello - Cap. 29.

Boa Sorte.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Análise brega-lírica-sintátiva da música "Essa cidade é uma selva sem você" de Bartô Galeno

O Hermes me lançou o primeiro desafio: falar sobre as nuvens que tanto amenizam nosso calor fortalezense. Mas ele também disse que eu deveria postar a minha análise da música 'Essa cidade é uma selva sem você' do Bartô Galeno, então, primeiro postarei esta e na próxima semana eu posto sobre as nuvens!

* Para quem quiser ler a letra da música ou escutá-la é só clicar aqui!


ANÁLISE BREGA-LÍRICA-SINTÁTICA DA MÚSICA “ESSA CIDADE É UMA SELVA SEM VOCÊ” DE BARTÔ GALENO

Carlos Augusto Ribeiro Neto

Introdução

Bartô Galeno é um dos maiores cantores do estilo brega brasileiro. Nascido na Paraíba, lançou seu primeiro disco, “No toca-fitas do meu carro”, na década de 70, onde a música que tem o mesmo título que levou o álbum virou um sucesso nacional e é até hoje sua música mais conhecida. Durante as décadas de 70 e 80, junto com outros cantores bregas – como por exemplo Reginaldo Rossi, Agnaldo Timóteo, Waldick Soriano, Amado Baptista, Odair José, Raimundo Soldado etc. – Bartô fez muito sucesso com suas músicas. A biografia do cantor não é muito vasta na internet.
A música brega é, de certa forma, influenciada pela Era da Rádio e pela Jovem Guarda; de origem bem popular, marcante por seus cantores e compositores serem de origem bem humilde e, pela falta recurso, a qualidade instrumental, em determinados casos, deixa um pouco a desejar, mas que se compensou, quase sempre, pelas letras.
As composições bregas são sempre muito carregadas de sentimentos fortes como amor, ciúme, tristeza; traz recorrentemente a temática da traição e do abandono; tornando-se, assim, grande sucesso em bares e botequins, fazendo a alegria ou a tristeza de frequentadores destes locais, com suas mágoas sentimentais.


Análise brega

A música escolhida “Essa cidade é uma selva sem você” é um grande exemplo de música brega, apesar de ser uma das poucas a não falar em traição ou alcoolismo. Essa, assim como a maioria das músicas bregas, ganharam seu referido destaque justamente por seu caráter popular e de fácil identificação com seu público, que muitas vezes vê nestas letras a sua própria história narrada. O valor sentimental dessa música, então, é grande justamente por ser bem genérica a vários casos encontrados no ambiente em que é mais tocada: os bares.
Refiro-me ao termo genérico porque nem sempre os ouvintes são traídos, ou estão sendo acometidos de ciúmes ou se envolvendo com prostitutas – temas recorrentes nesse estilo –, o fato narrado fala apenas em paixão e saudade, sentimentos mais comuns a todos.
Para dar o teor dramático à música e realmente encaixá-la como música brega, os detalhes em seus versos fazem toda a diferença. Mencionando que sem a sua amada o eu-lírico viveria sem felicidade, iria enlouquecer e que poderia até morrer, o autor traz uma densidade de desespero dificilmente encontrado em diferentes estilos musicais.
Outros pontos pouco comuns em estilos distantes do brega é a entrega que o eu-lírico demonstra, quando diz que estando apaixonado, se entrega a esse amor destemidamente; e quando ele se condena a ser escravo dessa solidão. Posicionamentos um tanto distantes da cultura machista de força, mas que parece ganhar coro em seus ouvintes, o que pode ser interpretado por uma queda de máscara.


Análise lírica-sintática

A música de Bartô Galeno não foi meramente escolhida para esta análise somente por suas características bregas, mas por haver nela um grande valor lírico e gramatical. Ela foi muito bem escrita, apesar de não estar perfeita. Mas percebe-se em seus estrofes um composição madura, com frases bem construídas e variação de diferentes tipos de orações, algo pouco comum entre as canções mais populares.
A poesia tem estrofes definidas, dois sextetos, um quarteto e um quinteto, que é também o refrão, que se repete e muda o último verso no bis. Os sextetos, em sua formação clássica (AABCCB) – apesar do primeiro não construir a rima correta no quarto e quinto verso –, o quinteto, também (AABBA) e o quarteto, o mais misterioso nessa análise, com um padrão de rima pouco visto (AAXX).
Na primeira estrofe, há a contextualização de hora, de local e de causa de toda a poesia, ou seja, a dor sentida no presente momento, o contexto urbano – que na angústia da situação se torna selva –, e a própria solidão do eu-lírico, ao estar distante da receptora, respectivamente. Este primeiro verso compõe-se de advérbios de tempo, lugar e modo, constatando tais características, o que vai se comprovando na continuação do estrofe.
Na mesma estrofe também é notável uma certa pobreza na rima, quando o terceiro deveria rimar com o sexto verso e, no entanto, o pronome “você” é utilizado no final dos dois.
A segunda estrofe, que é, para mim, a mais bem construída de toda a música, tem uma grande variação de orações, que enriquece substancialmente a poesia. O primeiro verso, aparentemente, fui utilizada somente para compor a estrofe, contudo, nela há um grande valor rítmico, na qual, sem ela, a estrofe perderia muito em musicalidade. A partir da segunda, há um enrolo de orações onde, note-se:

a)o 2º verso é oração principal do 3º, que caracteriza restritivamente o defeito do amor mencionado no verso anterior;

b) o 4º, 5º e 6º verso são a exposição desse defeito, por isso o uso do “:”. O mais curioso é que o 4º verso é uma oração concessiva de duas orações principais, que são o 5º e o 6º versos, pois estes são, entre si, de mesmo valor lírico. Se tirássemos um ou outro da estrofe, manter-se-ia a semântica, mas não o sentido lírico e porque não, digamos, o sentido brega!
A mensagem transmitida nestes versos também merece atenção. Afinal, neles o autor faz uma conjeturarão, como se através de axiomas, formulasse uma teoria. Em outras palavras, interpreta-se que a experiência dolorosa do eu-lírico fê-lo entender o motivo do sofrimento; diagnosticando um defeito do amor, que seria essa entrega à paixão, já comentada na análise brega.
A terceira estrofe, repito, é a mais misteriosa da poesia toda. Para começar, sua estrutura em um isolado (AAXX). Segundo, ao final do solo instrumental, ao invés do cantor retomar o refrão – técnica muito utilizada por vários músicos –, Galeno retoma este verso, como se quisesse evidenciá-lo. O que faz este segundo ponto misterioso é justamente não se entender o porquê de evidenciar uma estrofe sem grandes versos, comparado aos demais.
Tanto lírico como sintaticamente, esta estrofe não contribui significativamente ao contexto, cabendo apenas ao estilo brega a justificativa de sua utilização e evidenciação. Aliás, é justamente aí que o contexto brega mais se acentua, quando o eu-lírico percebe-se escravo da solidão; contudo, considero o refrão mais dramático, o que inviabiliza considerar a repetição como mostra da intensidade brega.
O refrão, o trecho mais conhecido da música, tem todo esse destaque devido aos seus versos cheio de significados. A cidade torna-se uma selva, pois a solidão o amedronta e o diminui, deixando-o inofensivo. Apesar da comparação dual utilizada, o verso seguinte que, para mim, é a mais bonita da poesia toda:
Pago tão caro o valor dessa saudade”
Sintaticamente este verso nada influencia na estrofe, mas o peso lírico e brega é imenso. Afinal, é nessa frase que o autor resume todo o seu sofrimento: ele paga tão caro – com inofensividade, tristeza, loucura e quem sabe até a morte, – o valor dessa saudade – que carrega de sua amada. Os versos que o sucedem, servem, então, para ratificar que tipo de pagamento é esse.

A poesia tem seus defeitos, que não são críticos e que não diminuem a música mas também, aliás, servem de enredo para a linguagem popular, muito próxima da utilizada pelo autor. Daí então, “Essa cidade é uma selva sem você” é um grande exemplo de música brega, de música bem escrita e de música que atingi seu público-alvo.
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* Cansado, mas feliz!
* Meu twitter: @caribeironeto

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ESCUTANDO NO MOMENTO: As Atrizes - Chico Buarque

LENDO NO MOMENTO: Alguma Poesia - Drummond - pg. 366 // Ladrão de Cadáveres - Patricia Mello - cap. 24.

Boa Sorte.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Você pode até querer brincar de solidão, mas o mundo não é uma bolha de sabão

Começo citando meu mestre Drummond: "Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado."

Afinal, a nossa densidade demográfica aumenta e o nosso convívio diminui. Mas a sociedade é sempre surpreendente, vou dizer porque:

Primeiro caso, lembro que, para ir me encontrar com uma ex-namorada, eu pegava o Antônio Bezerra/Messejana aos domingos, no horário que era o mesmo do fim da feira. Então subia um monte de gente no ônibus fedendo a suor. Mas era suor de trabalho, de quem precisa daquilo para sobreviver. Mas eu, com a minha vidinha ganha, achava horrível aquele cheiro. Pensem bem, o que é melhor para aquele povo: eles ganharam o dinheiro deles e terem como sobreviver ou voltarem cheirosos para casa porque o filhinho da classe média não quer sentir seu fedor? No terceiro domingo de viagem até conversei com um deles, entender um pouco mais como é a vida deles. Quem sabe eles sentiram a minha falta aos domingos, já que o namoro acabou...

Segundo caso – parte 1 – com a aquisição de celulares com capacidade tocar mp3, as pessoas agora entram no ônibus, botam o fone no ouvido e se fecham na referida bolha do título. Já perceberam como é inconveniente você conversar com alguém que está com um fone no ouvido e que notadamente preferem ouvir a música do que conversar com um amigo que encontram casualmente no mesmo transporte? Você tem que repetir todas as suas perguntas porque certamente ele vai pedir para você dizer de novo.

Segundo caso – parte 2 – mas o que eu falei na parte 1 é apenas o que os filhinhos da classe média fizeram, a classe mais humilde, mais atenta ao que está ao seu redor, escuta é sem fone mesmo, coloca no som alto para todo mundo ouvir os forrós, raps e funcks da vida. Vocês não sabem como isso incomoda. Mas incomoda à minha bolha de sabão! Afinal, tem gente ali naquele ônibus, que está sem nada para fazer e está gostando do som alto. Nota mental: a minha bolha começa quando a sua termina. O som dele entrou na minha bolha, mas e a minha tolerância foi até aonde?

Segundo caso – parte 3 – é sabido por quem me conhece que eu leio dentro de ônibus, e estava eu lendo meu 'Cemitério dos Vivos', certo dia, quando senta um cara do meu lado e liga o celular, tocando um brega nas alturas. Fecho a cara e dou uma olhada violenta para o cabra ao meu lado. Fecho o livro com uma violência maior ainda e me dedico a olhar a paisagem, e até apreciando a música, que era um brega muito bom. Educadamente, o cara percebe que atrapalhou a minha leitura, pega o fone dele e coloca um lado no celular e o outro nas orelhas. Dessa forma, com um pouco de remorso do que fiz, aproveito a deixa e volto a ler meu livro. Apesar do remorso, oportunidade e piadas bestas não devem ser perdidas nunca!

Meu livro 'Desenho Urbano' fala muito disso. De como necessitamos do próximo e de como, por mais que desejamos ficar sozinhos, um olhar mais geral da situação, as vezes, é mais importante do que olhar apenas para seu umbigo. Até porque, quando foi a última vez que você limpou o seu?

CA Ribeiro Neto
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* E como eu disse quinta passada, aceito desafios de textos também!
* Twitter virou meu grande outdoor @caribeironeto
* Tudo bem comigo; e com você?
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ESCUTANDO NO MOMENTO:  O Cristo de madeira - Ana Carolina
LENDO NO MOMENTO: Alguma Poesia - Drummond - pg. 254 // Ladrão de Cadáveres - Patricia Melo - Cap. 20.

Boa Sorte.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A dança da alegria

Bem, pessoal, de hoje em diante, este blog não se chama mais Alegria! Alegria! Ela gira! Ela gira! e sim A dança da Alegria. Essa mudança não é apenas de título, mas também estrutural, pois ele não será mais um espaço para meus textos literários especificamente. Será, na verdade, agora, uma espécie de coluna de jornal, um folhetim, um espaço para minha mente curiosa e incansável escrever sobre coisas mais cotidianas ainda do que o de costume, mas na linha da observação aguda - cá entre nós, continuo na crônica!

Os motivos que me levaram a isso são simples: primeiro, porque estou num momento que quanto mais eu leio, menos escrevo - e estou lendo muito; segundo, em consequência do primeiro, estou ficando sem textos de estoque para postar, e como não quero postar todo o Desenho Urbano aqui, irei parar de postar os textos que faltam; terceiro, porque vou começar um novo livro, um agora de contos mais extensos, o que inviabiliza a postagem dele aqui no blog; quarto, pois assim, terei um maior contato com a escrita, de uma certa forma, parecida com a dos escritores que tanto admiro.

Portanto, este blog agora será feito de textos com alguma reflexão de algo presenciado por mim, alguma análise ou recomendação de algum livro que li ou de alguma música que escutei ou filme que eu assisti ou acontecimento que eu presenciei; gostaria também que vocês fizessem desafios para mim - pode ser uma palavra, um termo, um trecho, um desfecho, uma piada, uma história, uma mentira etc.

Para não abandonar de todo a série que eu estava formulando, próxima semana apresentarei a vocês um texto que tenha haver com o título da série que eu estava postando "Você pode até querer brincar de solidão, mas o mundo não é uma bolha de sabão" - já que a Herbenia gostou muito e eu também.

CA Ribeiro Neto
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* Para 1uem quiser acompanhar os eventos da Livraria Cultura - Fortaleza.
* Em breve, novidades no Eufonia.
* E tudo em paz.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Nada - meu irmão já está dormindo.


LENDO NO MOMENTO: Alguma Poesia - Drummond - pg. 115 // Ladrão de Cadáveres - Patricia Melo - cap. 16

Boa Sorte.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O ciclo sem fim ou Era para apenas rir II

Começando mais uma série hoje, 'Você pode até querer brincar de solidão, mas o mundo não é uma bolha de sabão' é uma série de crônicas presentes no meu livro Desenho Urbano, onde manifesto que sempre precisamos do próximo e que "não é possível ser feliz sozinho". Além de 'O ciclo sem fim ou Era para apenas rir II', essa série terá os textos 'Enxugando os pratos', 'Relativo', 'Sem barba, com amor, meu amor' e 'Tudo'.


O ciclo sem fim ou era para apenas rir II

Estava voltando para casa, mais precisamente dentro de um ônibus parado em frente a um semáforo que alternava de cor naquele momento, quando olhei para o outro lado da avenida, onde os carros passavam em sentido contrário e achei esse grito de largada do sinal verde muito parecido com uma debandada de uma manada. Sequencialmente e inexplicavelmente lembrei também do filme 'O Rei Leão', na cena em que o Mufasa, pai de Simba, morre atropelado por gnus.
Não tinha mais jeito, estava elaborando outra associação sociológica e não podia mais evitar. Sendo assim, escrevo o que visualizei.
 
Em casa, assistindo cenas no youtube, relembrei partes do filme que tanto assisti e que marca a minha vida como o primeiro choro dentro de um cinema, justo na cena da morte de Mufasa – é, teve outras vezes sim.
 
Como toda introdução, começo com a música 'Ciclo sem fim' onde todos os animais estão indo para aquela tal pedra para ver o batizado de Simba. Vejam bem, a versão em português, que é a que eu conheço e é a que influenciou, de alguma forma, os telespectadores brasileiros, trata de um rio que guiará a todos no ciclo sem fim “à dor e à emoção; à fé e ao amor” – ou seja, aos sentimentos vivenciados em nossas vidas – e que nos levará aos nossos caminhos: este ponto, para mim, é o norte de todo o filme, pois, apesar das adversidades da vida, fazemos parte de uma coletividade que compõe esse 'rio', esse 'ciclo'. Explico mais sobre isso mais na frente.
 
Na cena da morte de Mufasa – a cena que inspirou essa crônica e de maior abstração minha – vemos aí a abordagem da família como célula fundamental da sociedade, ainda que esse pensamento ande meio deturbado ultimamente. O trânsito caótico, com gnus no lugar de carros e hienas no lugar dos motoboys – no meu irônico pensamento –, é só um dos problemas enfrentados por milhares de pais de família que praticamente dão sua própria vida para garantir um futuro para seus filhos. Percebam que todos os gnus estão correndo para o mesmo lado, num “ciclo sem fim...”: no tal ciclo da introdução do filme há coisas boas e más que comporão o nosso caminho.
 
Quando Mufasa morre, Simba foge, ainda criança, e faz amizade com Timão e Pumba, que lhe apresentam uma nova filosofia de vida: Hakuna Matata. Uma filosofia em que “os seus problemas você deve esquecer. Isso é viver, é aprender”. Segundo os novos amigos, essa filosofia resolve todos os seus problemas, basta esquecê-los. Levando-se em conta que Timão é um espertalhão que sempre quer se dar bem e Pumba é uma cara, digamos, relapso em questão de higiene. Somando isso tudo à questão que Simba passa com eles o fim da infância, a adolescência e o começo da juventude, estamos falando do pensamento juvenil de rebeldia e contestação, em que a maioria das pessoas passam na adolescência, geralmente carregados de problemas familiares, perfeitamente encaixável na vida de nosso protagonista com a morte de seu pai.
 
Contudo, tem uma hora em que não dá mais para fechar os olhos para os problemas ao seu redor. É a hora de olhar para si e decidir o que há de se fazer. Isso acontece no filme também, numa de suas passagens mais bonitas. Simba está andando sozinho quando o Rafiqui – o babuíno que identifico como a consciência – começa a atormentá-lo com uma música esquisita e quando eles começam um diálogo, surge logo uma pergunta: “Quem é você?”. Bem cara de consciência, não? Ao Simba não saber responder-lhe, o babuíno afirma que ele é filho de Mufasa, e mais: afirma que este está vivo! Querendo ver seu pai, o jovem leão segue Rafiqui até o leito de um lago ou rio (rio de novo? Hum...), que mostra-lhe seu reflexo. Então Simba não ver mais seu próprio reflexo e sim, a fisionomia de seu pai, ao mesmo tempo em que o macaco diz: “Viu? Ele vive em você!”. Daí aparece nas nuvens a imagem de Mufasa que acusa o filho de ter o esquecido e depois diz uma frase que, ao meu modo de ver, é fundamental para se compreender o que afirmo agora: “Você é muito mais do que pensa que é. Você tem que ocupar seu lugar no ciclo da vida”. Pessoal isso nada mais é do que a teoria dos Papéis Sociais: cada um não é apenas um ser isolado e que só depende de si para sobreviver. Como célula da sociedade, precisa trabalhar junto com ela para o organismo social funcionar perfeitamente.
 
Depois o leão e o babuíno continuam a conversar sobre como é difícil retomar a vida depois de tanto tempo tentando esquecê-la. Então Rafiqui dá uma porrada na cabeça de Simba e quando este vai reclamar, aquele responde: “Não interessa! Está no passado! O passado pode doer, mas ou você pode fugir dele ou aprender com ele”. Está aí quebrada a filosofia Hakuna Matata e Simba volta para defender seu trono.
 
Quanto a esse negócio de trono, é só para embelezar a história infantil. O que há em jogo é a situação social. Scar, o vilão, representa a concorrência, o mercado de trabalho, a inveja.
 
Tudo que falei pode ser encarado de duas formas. Ou você entende o filme como um orientador ou como um manipulador. Eu, pelo menos, assisti esse filme quando criança e não deixei de ser rebelde e contestador em minha adolescência, então, se a intenção era manipular, não deu certo comigo.
 
Encerro este texto aqui, com a sensação de que aprendi algo. Nem que tenha sido apenas a ter cuidado ao atravessar uma rua repleta de gnus velozes.


CA Ribeiro Neto
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* Como diria o pai de Édipo, está tudo tão bem, que começo a me preocupar em quanto tempo durará a felicidade.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Bola de Meia - Seu Jorge

LENDO NO MOMENTO: Terminei o Cemitério dos Vivos, do Lima Barreto; em dois dias li o 90 Livros Clássicos para Apressadinhos; começarei agora o Alguma Poesia, do Drummond (versão fac-símile, linda!!) e estou lendo na Livraria Cultura o Ladrão de Cadáveres - Patrícia Melo - Cap. 12.

Boa Sorte

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mais uma chance a Jairo e Flor

Ninguém comentou no texto 'Jairo e Flor' e você não sabem como isso entristece esse blogueiro... Não vou postar texto meu hoje porque ele merece mais uma semana de chance. Vai, então, aqui, um haikai do Quintana, o que a Herbenia mais gostou.


Convite

Basta de poemas para depois...
Ó vida, e se nós dois
vivessemos juntos?

Mario Quintana
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* Nenhuma novidade.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Se você pensa - Roberto Carlos

LENDO NO MOMENTO: Cemitério dos Vivos - Lima Barreto - pg. 218 (Voltei ao primeiro exemplar, pois emprestei o segundo a uma amiga) // Ladrão de Cadáveres - Patricia Melo - cap. 11

Boa Sorte