A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A sílaba perdida

Eu estava com saudade de postar uma poesia por aqui; e como não levo minha poesia a sério, mostro-a a vocês pelo blog!

A silaba perdida


Solitário sou,
mas não me julgue,
porque por mais que assim perdure,
ser só
é diferente de sozinho.


Ser sozinho,
como demonstra o diminutivo,
é uma forma de carinho consigo,
uma solidão carinhosa,
atraente, charmosa,
um estado de espirito
que quando se quer, mandamos embora.

Já estar só
é tão só,
que até a sílaba, deprimida, se indica,
entre espaços, aflita, perdida.


CA Ribeiro Neto
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* Próxima semana, última postagem do ano, começarei uma tradição: postar a lista de todos os livros que li no ano, em ordem dos que mais gostei para os que não tanto...
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Lágrimas Sofridas - Los Hermanos

LENDO NO MOMENTO: Caetés - Graciliano Ramos - pg. 50 // Dom Casmurro e os Discos Voadores - Machado de Assis e Lucio Manfredi - Cap. 58


Boa Sorte

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Todos temos medo

Lucas Lima disse que estava bom, então estou postando, mas sei que não é o melhor texto meu!




Todos temos medo



Medo todos têm e é natural que tenhamos mesmo. Mas surpreendo-me muito quando vejo alguém evitando-o com medo de enfrentá-lo. O ser humano é sempre cheio de tantas variáveis que é meio louco dizer que todos devem enfrentar seus dragões. Mas não domá-los não seria ser domado?
Medo de sair na rua, de ser assaltado, sequestrado, o escambau. Esse é o mais comum. Mas quem garante que em casa você está seguro? Marcelo Yuka falou bem: é você quem está nessa prisão! Sem querer me repetir a respeito de minha querida Fortaleza, eu não vou deixar de andar nela por receio de pilantragem nenhuma!
Um medo curioso que venho escutando muito atualmente é o medo de amar. Poxa, amar nem sempre é bom, óbvio, mas desistir de tentar é brincadeira! Posso me relacionar com uma mulher autoritária, ciumenta, broca, incompreensível e ainda ser feliz e amá-la muito. Assim como posso temer amar a melhor mulher do mundo e, assim, perdê-la. Claro que os exemplos foram exagerados, mas se você não tentar, como vai saber se será a melhor do mundo ou a autoritária, ciumenta...?
O amor é a opção mais sublime que temos para tentar viver em sociedade.
E o medo de procurar o que quer? Quantos médicos atendem sem olhar na nossa cara porque queriam ser músicos e vivem uma vida bosta? É verdade que muitas vezes não temos escolhas, temos família para criar, casa para sustentar, ou até, dependendo da vida de cada um, gasolina e motéis para pagar e precisamos correr atrás da bufunfa, dindim. Mas eu não conseguiria trabalhar numa coisa para o resto da vida que não me fizesse feliz. E eu sei que eu não generalizo tudo, o fato de eu não conseguir, não significa que outros não consigam.
Medo. Repito ele no começo de cada parágrafo porque quando ele tem a oportunidade de aparecer, ele se escancara na nossa frente. Daí então, o pulso ou o pensamento deve fechar-se; e a coragem ou os batimentos cardíacos tendem a aumentar.
O medo é a opção mais espalhafatosa que a sociedade tem para nos lembrar que somos humanos.


CA Ribeiro Neto
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* 17 livros lidos no ano! Para quem tinha a média de 9, quase dobrei. Não vou pegar um livro pequenino só para fechar os 18!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Gol anulado - João Bosco

LENDO NO MOMENTO: Diario do Hospício e Cemitério dos Vivos - Lima Barreto (apêndices) pg. 257 [eu tinha emprestado quando acabei o romance mesmo, agora vou ler os apêndices] // Dom Casmurro e os discos voadores - Machado de Assis e Lucio Manfredi - cap. 51.

Boa Sorte

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

7 filmes que marcaram a minha vida

Em ação conjunta Blogs de Quinta, eis a minha lista de 7 filmes que marcaram de alguma forma a minha vida. Não estão em ordem de importância e nem é preciso dizer que é uma tortura empolgante fazer essas listas, deixando outros títulos de fora!

7 filmes que marcaram a minha vida


Rei Leão – Este filme foi um dos poucos VHS que minha família comprou e eu assistia quase toda semana! Foi também o primeiro filme que me fez chorar no cinema, em pleno Cine São Luis! Uma história bonita, umas paradas muito engraçadas, as músicas de Elton John e Ed Motta e um ensinamento que carrego para toda a vida. E uma crônica feita agora depois de crescido - enquanto um gnu não me atropelar! [Quem quiser ler a crônica clica aqui]
Ilha das Flores – é um curta metragem feito pelo Jorge Furtado que, de uma maneira bem humorada e crítica, mostra como as vezes modificamos as prioridades por medidas humanas que acabam se tornando incoerentes. Na ilha das flores, não há flores, só lixo. E lá, porcos tem mais direitos que humanos. - que são mamíferos de tele-encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor.  [Como é um curta, dá para assistir agora, clicando aqui para ver a parte 1 e aqui para assistir a parte 2]
Linha de Passe – Do diretor Walter Salles, esse filme me inspirou numa das minhas melhores crônicas [Quem quiser ler a crônica clica aqui]. Fala de uma família composta da mãe e seus quatro filhos; cada um buscando seu sonho e, consequentemente, enfrentando suas dificuldades. O final é surpreendente. Saí do cinema hipnotizado.
Abril Despedaçado – Também do Walter Salles, já deu para perceber que gosto do trabalho dele. Impossível negar sua relação com o livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos - mas não tem a Baleia! Mostra fielmente a cultura e o cotidiano do interior nordestino e mostra como nós também temos o poder de padrões que chegam a se tornar carmas.
Trilogia De Volta Para o Futuro – melhor trilogia de todos os tempos do cinema, este filme engloba diversos elementos fascinantes como ficção científica, amor, aventura, comédia. Tem um roteiro complexo, bem estudado e envolvente. O que mais gosto é o 2, então, antes que me chamem de covarde ao escolher uma trilogia, eis o meu preferido.
Pequena Miss Sunshine – um filme fabuloso, que me influenciou também, na construção do meu livro Desenho Urbano [sem edição]. Fala de como todos temos defeitos e de como em momentos difíceis esses defeitos se acentuam. Também de como precisamos do próximo e, principalmente, de como não precisamos nos preocupar com a opinião alheia.
O Grande DitadorCharles Chaplin é o grande nome do cinema de todos os tempos e ele não pode faltar em nenhuma lista. Todos sempre citam Tempos Modernos, mas eu fico com O Grande Ditador, que é um grande filme também. Além da famosa cena do Hitler dançando com o Globo Terrestre [Assista à cena aqui], ou Hitler e Mussolini brigando com comidas, ou a historinha de amor do barbeiro com a mocinha. Tudo é muito bonito e ácido, vale a pena assistir!


CA Ribeiro Neto
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* Semana cansativa, mas agora que o fim de ano começou! Folga amanhã é ouro!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Nem o pobre nem o rei - Gonzaguinha

LENDO NO MOMENTO: E não sobrou nenhum - Agatha Christie - pg. 187 // Dom casmurro e os discos voadores - Machado de Assis e Lucio Manfredi - cap. 38.

Boa Sorte

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Fortaleza, minha querida – parte 2

Eis a segunda parte do texto sobre Fortaleza. Próxima semana Ação Blogs de Quinta - 7 filmes que marcaram a sua vida!


Fortaleza, minha querida – parte 2



Continuando os textos com curiosidades sobre a minha amada Fortaleza, falo agora do nosso nascer e pôr do sol. Sabe aquelas imagens hollywoodianas em que o sol aparece ou some no mar, com muito laranja e o reflexo nas águas? Pois é, na grande maioria das capitais mundiais só se ver essa beleza ou de manhãzinha ou à tardinha. Fortaleza é a única capital brasileira a ver o nascente e o poente no mar. Sem falar que o céu fica lindão, com azuis, violetas, vermelhos, laranjas e amarelos. Foi mal, Hollywood, a gente tem isso duas vezes ao dia!
Agora, muita gente pensa que o Ceará é conhecido como Terra da Luz por causa do sol – que de tão quente chega a ser inebriante –, mas, na verdade, são dois outros motivos. O primeiro, mais óbvio, é que aqui teve a primeira manifestação de abolição da escravatura, na cidade de Redenção, em 1884, e que depois se espalhou por todo o Estado, sendo a capital, Fortaleza, a segunda cidade a adotar a libertação dos escravos.
É verdade que aqui havia poucos escravos, justamente por não ter se desenvolvido tanto a cana-de-açúcar, então, não havia tanta necessidade em tê-los por aqui. E isso justifica o fato de vermos poucos negros em nossa sociedade – quando o vemos, descobrimos que veem de outros Estados. Mas é preciso deixar claro que essa iniciativa abolicionista partiu de frentes oligárquicas e teve também apoio dos jangadeiros.
Daí veio o Dragão do Mar, um pescador que já não queria mais dá uma de gondoleiro de Veneza – até porque esta fica na Itália e não na imitada França. Esse serviço era utilizado porque nosso porto sempre foi raso e os navios atolariam se chegassem mais perto. Um desses pescadores resolveu reivindicar contra isso lá na capital e rumou, de jangada, para o Rio de Janeiro, ficando conhecido por Dragão do Mar, devido à coragem.
Mas não foi esse o único motivo para o Ceará ganhar seu apelido luminoso, digo, carinhoso. Lembrem-se que Paris é conhecida como a Cidade Luz e nada melhor do que imitá-la também no termo mundialmente conhecido. No caso, utilizaram a desculpa da abolição para adotarem a mesma alcunha.
Já que chegamos nas gaiatices cearenses a níveis importados, vamos à origem do termo “baitola”. Quando foram construir a linha férrea de Fortaleza, inventaram de chamar um inglês meio afeminado para ser o engenheiro da obra. Este, muito preocupado com a bitola – distância padrão dos ferros do trilho –, não parava de gritar tal termo, mas com o jeito gringo de falar, tornando a fonia do “i”, num “ai”.
Imagine um inglês que suspeitavam de sua heterossexualidade gritando “Olha a Baitola! Olha a Baitola”, em meio aos peões, cearenses como cada um sabia ser? Dá para imaginar que isso caiu logo na picardia. O termo acabou virando sinônimo de homossexualismo e por muito tempo só entendia isso quem era cearense, até que nossos muitos humoristas levaram para o resto do Brasil.
Mas, falando em minorias oprimidas e termos cearenses, tem também o caso do “Queima Quengaral”. Havia no Centro da cidade uma galeria como essas que ainda encontramos – bem raros, é verdade – nas grandes capitais. Quem conhece galerias sabe que em cada andar tem a venda de um tipo de produto; e  no último andar desse prédio era o puteiro. Certo dia a galeria pegou fogo e todos correram o mais rápido que puderam para fora do lugar, menos as conhecidas “quengas”. Como elas ficavam no último andar, elas subiram até a cobertura para pedir socorro. Ao invés de ajudar, os moralistas de ocasião e gaiatos de sempre começaram a gritar “Queima Quengaral” e o termo acabou se tornando algo parecido com “jogar lenha na fogueira”.
Para se ter uma ideia de como cearense gosta de uma fuzarca, havia aqui em Fortaleza o Cajueiro da Mentira, onde os malamanhados se reuniam para ver quem contava a história mais cabeluda. Tinha até campeonato e data comemorativa! Como podem mais uma vez ver o espírito inovador cearense, eis o começo do Stand up mundial! O curioso é que alguns estudiosos discutiam se ele realmente existiu ou se era, digamos, invenção! Já pensou? O Cajueiro da Mentira ser uma também? Mas agora já tem foto e tudo dos eventos que lá existiam.
Mas evento maior que a vaia ao sol não existiu e nem existirá. Fazia três dias que chovia sem parar. Para quem não é daqui, isso é muito raro. Chover por três dias, o dia todo, eu nunca vi. Mas justamente por isso os cearenses estavam adorando. Pareciam pinto no lixo. No terceiro dia as nuvens começaram a se abrir e o sol surgiu entre elas. Então, os presentes na Praça do Ferreira, atingidos pela mesma comoção, pela mesma indignação, fizeram coro encorpado e uníssono. Meteram-lhe uma bela de uma vaia, que encabulou Hórus, Tupã e Luis XIV de uma vez. Até porque nossa vaia não é “uuuhhhhh” como no resto do mundo. Nossa vaia é um “iiiiiiiieeeeeeeeeeeeiiiiiii” que encabula mais porque ainda assusta quem a escuta pela primeira vez, ainda mais quando se é o alvo.
Fortaleza tem essas e muitas outras histórias e cada morador sabe um pouquinho delas, porque elas não só se renovam como também surgem outras, como o assalto ao Banco Central, por exemplo. Então, quem sabe, esse texto não será o último sobre essa cidade nesse blog.


CA Ribeiro Neto
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* Ontem foi o primeiro ensaio da nova banda! Foi um começo legal, mas ainda há muito por vir.
* Blogs de Quinta com a capacidade máxima! 15 membros! Mas nem todos ativos...
* Atenção aos quinteiros,  Ação Blogs de Quinta - 7 filmes que marcaram a sua vida! Todos que quiserem participar, postem sua lista de 7 filmes na próxima quinta.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Comportamento Geral - Gonzaguinha
LENDO NO MOMENTO: 100 melhores crônicas brasileiras - Joaquim Ferreira dos Santos - pg. 322 // Dom Casmurro e os Discos Voadores - Machado de Assis e Lucio Manfredi - Cap. 2

Boa Sorte

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fortaleza, minha querida - parte 1

Bem, fazendo um registro da cidade, eis algumas coisinhas que sei e que quero compartilhar. Para quem não conhece muito do mapa de Fortaleza, favor olhar aqui.


Fortaleza, minha querida.

No texto passado falei das nuvens na cidade-amante, e é óbvio que estava falando de Fortaleza. Afinal, acho que todos sabem da admiração que tenho por esse lugar. Vou falar, então, de suas peculiaridades do passado, do presente e das atemporais.
O mar é algo muito importante para Fortaleza. Até por orientação cartográfica: se você estiver de frente para a Barra do Ceará, Orla do Pirambu, Praia de Iracema, Beira-Mar, Titanzinho, estará virado para o Norte da Rosa dos Ventos.
Já quem estiver na Praia do Futuro, Sabiaguaba e Abreulândia estará na porta de entrada do vento, pois é nesse sentido diagonal que a brisa marítima entra na cidade. E aí fica a dica: independentemente de onde estiver em Fortaleza, se quiser saber se vai chover ou não, basta ficar de frente para onde seria as primeiras praias citadas e olhar para o seu nordeste, que seria a direção das segundas praias citadas; se tiver nuvens escuras vindo de lá, é porque é muito provável que chova. Não sei se ficou claro, mas tudo bem...
Essas nuvens marítimas vêm do meio do atlântico carregadas de vento frio, que traz consigo outra característica peculiar da cidade, o vento que é tão forte e que ameniza o calor louco que tem por aqui. Hoje em dia as sentimos menos, devido aos enormes prédios que foram postos em nossa orla. Mas o vento ainda corre por nossas ruas xadrez.
As ruas xadrez são a parte projetada da cidade, que começou no Centro e que ao longo do tempo se estendeu para bairros vizinhos. Para quem não conhece, ruas xadrez são o entrelaçado das vias iguais a um tabuleiro, formando sempre quadrados iguais para casas e comércios. Há muita divergência se esse sistema é bom ou não para o fluxo da cidade. Uns dizem que dá lógica ao trânsito e foi esse o motivo de implantarmos, outros dizem que eles fazem o veículo parar muito em cruzamentos ao invés de dar uniformidade ao caminho. Enfim, deixo a discussão para os arquitetos.
Esse xadrez todo foi uma ideia importada da França, numa época que todas as ideias eram importadas de lá. Nessa época, finalzinho do século XIX, tudo aqui lembrava Paris. Inclusive a literatura. E foi daí que surgiu a Padaria Espiritual, totalmente inspirada no Modernismo europeu e que trazia para cá as ideias inovadoras e popularizadoras que os Andrades divulgaram no Rio só em 22. Entenderam? O Modernismo brasileiro nasceu aqui! Adolfo Caminha, Antônio Bezerra, Antônio Sales e muitos outros fizeram da Padaria um acontecimento único. Eles traziam tudo que a Semana de 22 trouxe, com uma coisinha cearense a mais: a molecagem. Vejam só o artigo 16 do Estatuto da Padaria Espiritual:

“Aquele que durante uma sessão não disser uma pilhéria de espírito, pelo menos, fica obrigado a pagar no sábado café para todos os colegas. Quem disser uma pilhéria superiormente fina, pode ser dispensado da multa da semana seguinte.”


Outro marco da irreverência fortalezense foi o caso do Bode Ioiô. Este personagem hoje está empalhado no Museu do Ceará, para que todos possam ver sua imponência. Ioiô rondava as ruas do Centro e era muito querido por todos que passavam pelo local. Inclusive, as pessoas que o alimentavam, dando-o comidas e bebidas – sobretudo as alcoólicas. Seu nome se deu porque a casa de seu “dono” – aspas porque todos eram dono dele, na verdade – ficava no Mucuripe e o bode ia e voltava sozinho da casa para o Centro (vide distância no mapa). Talvez pelo vicio da bebida. Seu ápice foi quando pegaram seu nome e registraram como candidato a vereador de Fortaleza. E ganhou. Só não pôde assumir porque não sabia ler e escrever – besteira.
Próxima semana continuo outras histórias de Fortaleza, como a origem do termo “Queima quengaral”, “baitola” e a famosa Vaia ao Sol. Sobre o motivo de ser chamada Terra da Luz e a curiosidade no nascer e no pôr do sol.


CA Ribeiro Neto
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* Cheguei à marca de 15 livros lidos no ano. Para quem tinha a média de 9 por ano, acho que melhorei.
* 2010 ainda não acabou e devo aumentar esse número.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Espelho - Diogo Nogueira.

LENDO NO MOMENTO: Contos de Fadas - Ed. Jorge Zahar - Pg. 165 // Dom Casmurro e os Discos Voadores - Machado de Assis e Lucio Manfredi - Cap. 2

Boa Sorte

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O alívio de toda a cidade-amante

Hermes me pediu um texto sobre as nuvens que tanto amenizam nosso calor cearense, e daí está o resultado do desafio.



O alívio de toda a cidade-amante



Andar sempre foi meu hábito. Troco uma viagem curta de ônibus por uma caminhada longa facilmente. Afinal, é andando que mais penso na minha vida, como mais descubro as soluções dos meus problemas, como conheço mais e mais essa minha cidade-amante, como crio inspiração para meus textos, como arranjo tempo para uma ou outra ligação pendente.
Deixo bem claro que faço isso por prazer! Se eu for fazer caminhada como prática física, considero logo uma obrigação e então perco totalmente a vontade. Tem que ser totalmente voluntário, sem um objetivo escondido.
Mas os não-andarilhos questionam o sol cearense como empecilho fundamental para tal atividade, julgando-o que o custo-benefício não valesse tanto a pena. Realmente, a temperatura daqui está cada vez mais massante e não lhes tiro a razão.
A questão é que andar pela cidade é uma arte. Você tem que fazer a leitura do território. Perceber para onde a sombra está caindo; o quão arborizado é a rua; e, principalmente, como estão as nuvens sobre nós.
Se a cidade-amante é marítima e quente, o mar-amante à sua frente há de evaporar gotinhas. Não é nada suficiente para fazer chover diariamente, nem mensalmente, mas é o que precisamos para se ter nuvem, na maioria das vezes. Quando um floco branco desses chega sobre nós, é um alivio tão grande, que até ateu agradece a Deus por enviar tamanha graça! Já tive a ideia tola de ficar andando ao mesmo ritmo da nuvem para não perder sua sombra. Não deu muito certo porque era um dia de muito vento e ela correu de mim... mas posso dizer que tentei.
Engraçado ver alguns textos falando de como é bonito o céu azul, sem nada de nuvens. Já eu considero que céu bonito é céu com nuvem, malhado. Até para dar uma descontinuada. Sem falar que nuvem é sempre esperança de chuva; e chuva é alivio, é graça, é um choro de alegria de toda a cidade-amante.


CA Ribeiro Neto
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* Tudo bem comigo, e com você?
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Consolação - Vinicius de Morais, Toquinho e Clara Nunes

LENDO NO MOMENTO: Entradas e Bandeiras - Fernando Gabeira - Pg. 156 // Ladrão de Cadáveres - Patricia Mello - Cap. 29.

Boa Sorte.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Análise brega-lírica-sintátiva da música "Essa cidade é uma selva sem você" de Bartô Galeno

O Hermes me lançou o primeiro desafio: falar sobre as nuvens que tanto amenizam nosso calor fortalezense. Mas ele também disse que eu deveria postar a minha análise da música 'Essa cidade é uma selva sem você' do Bartô Galeno, então, primeiro postarei esta e na próxima semana eu posto sobre as nuvens!

* Para quem quiser ler a letra da música ou escutá-la é só clicar aqui!


ANÁLISE BREGA-LÍRICA-SINTÁTICA DA MÚSICA “ESSA CIDADE É UMA SELVA SEM VOCÊ” DE BARTÔ GALENO

Carlos Augusto Ribeiro Neto

Introdução

Bartô Galeno é um dos maiores cantores do estilo brega brasileiro. Nascido na Paraíba, lançou seu primeiro disco, “No toca-fitas do meu carro”, na década de 70, onde a música que tem o mesmo título que levou o álbum virou um sucesso nacional e é até hoje sua música mais conhecida. Durante as décadas de 70 e 80, junto com outros cantores bregas – como por exemplo Reginaldo Rossi, Agnaldo Timóteo, Waldick Soriano, Amado Baptista, Odair José, Raimundo Soldado etc. – Bartô fez muito sucesso com suas músicas. A biografia do cantor não é muito vasta na internet.
A música brega é, de certa forma, influenciada pela Era da Rádio e pela Jovem Guarda; de origem bem popular, marcante por seus cantores e compositores serem de origem bem humilde e, pela falta recurso, a qualidade instrumental, em determinados casos, deixa um pouco a desejar, mas que se compensou, quase sempre, pelas letras.
As composições bregas são sempre muito carregadas de sentimentos fortes como amor, ciúme, tristeza; traz recorrentemente a temática da traição e do abandono; tornando-se, assim, grande sucesso em bares e botequins, fazendo a alegria ou a tristeza de frequentadores destes locais, com suas mágoas sentimentais.


Análise brega

A música escolhida “Essa cidade é uma selva sem você” é um grande exemplo de música brega, apesar de ser uma das poucas a não falar em traição ou alcoolismo. Essa, assim como a maioria das músicas bregas, ganharam seu referido destaque justamente por seu caráter popular e de fácil identificação com seu público, que muitas vezes vê nestas letras a sua própria história narrada. O valor sentimental dessa música, então, é grande justamente por ser bem genérica a vários casos encontrados no ambiente em que é mais tocada: os bares.
Refiro-me ao termo genérico porque nem sempre os ouvintes são traídos, ou estão sendo acometidos de ciúmes ou se envolvendo com prostitutas – temas recorrentes nesse estilo –, o fato narrado fala apenas em paixão e saudade, sentimentos mais comuns a todos.
Para dar o teor dramático à música e realmente encaixá-la como música brega, os detalhes em seus versos fazem toda a diferença. Mencionando que sem a sua amada o eu-lírico viveria sem felicidade, iria enlouquecer e que poderia até morrer, o autor traz uma densidade de desespero dificilmente encontrado em diferentes estilos musicais.
Outros pontos pouco comuns em estilos distantes do brega é a entrega que o eu-lírico demonstra, quando diz que estando apaixonado, se entrega a esse amor destemidamente; e quando ele se condena a ser escravo dessa solidão. Posicionamentos um tanto distantes da cultura machista de força, mas que parece ganhar coro em seus ouvintes, o que pode ser interpretado por uma queda de máscara.


Análise lírica-sintática

A música de Bartô Galeno não foi meramente escolhida para esta análise somente por suas características bregas, mas por haver nela um grande valor lírico e gramatical. Ela foi muito bem escrita, apesar de não estar perfeita. Mas percebe-se em seus estrofes um composição madura, com frases bem construídas e variação de diferentes tipos de orações, algo pouco comum entre as canções mais populares.
A poesia tem estrofes definidas, dois sextetos, um quarteto e um quinteto, que é também o refrão, que se repete e muda o último verso no bis. Os sextetos, em sua formação clássica (AABCCB) – apesar do primeiro não construir a rima correta no quarto e quinto verso –, o quinteto, também (AABBA) e o quarteto, o mais misterioso nessa análise, com um padrão de rima pouco visto (AAXX).
Na primeira estrofe, há a contextualização de hora, de local e de causa de toda a poesia, ou seja, a dor sentida no presente momento, o contexto urbano – que na angústia da situação se torna selva –, e a própria solidão do eu-lírico, ao estar distante da receptora, respectivamente. Este primeiro verso compõe-se de advérbios de tempo, lugar e modo, constatando tais características, o que vai se comprovando na continuação do estrofe.
Na mesma estrofe também é notável uma certa pobreza na rima, quando o terceiro deveria rimar com o sexto verso e, no entanto, o pronome “você” é utilizado no final dos dois.
A segunda estrofe, que é, para mim, a mais bem construída de toda a música, tem uma grande variação de orações, que enriquece substancialmente a poesia. O primeiro verso, aparentemente, fui utilizada somente para compor a estrofe, contudo, nela há um grande valor rítmico, na qual, sem ela, a estrofe perderia muito em musicalidade. A partir da segunda, há um enrolo de orações onde, note-se:

a)o 2º verso é oração principal do 3º, que caracteriza restritivamente o defeito do amor mencionado no verso anterior;

b) o 4º, 5º e 6º verso são a exposição desse defeito, por isso o uso do “:”. O mais curioso é que o 4º verso é uma oração concessiva de duas orações principais, que são o 5º e o 6º versos, pois estes são, entre si, de mesmo valor lírico. Se tirássemos um ou outro da estrofe, manter-se-ia a semântica, mas não o sentido lírico e porque não, digamos, o sentido brega!
A mensagem transmitida nestes versos também merece atenção. Afinal, neles o autor faz uma conjeturarão, como se através de axiomas, formulasse uma teoria. Em outras palavras, interpreta-se que a experiência dolorosa do eu-lírico fê-lo entender o motivo do sofrimento; diagnosticando um defeito do amor, que seria essa entrega à paixão, já comentada na análise brega.
A terceira estrofe, repito, é a mais misteriosa da poesia toda. Para começar, sua estrutura em um isolado (AAXX). Segundo, ao final do solo instrumental, ao invés do cantor retomar o refrão – técnica muito utilizada por vários músicos –, Galeno retoma este verso, como se quisesse evidenciá-lo. O que faz este segundo ponto misterioso é justamente não se entender o porquê de evidenciar uma estrofe sem grandes versos, comparado aos demais.
Tanto lírico como sintaticamente, esta estrofe não contribui significativamente ao contexto, cabendo apenas ao estilo brega a justificativa de sua utilização e evidenciação. Aliás, é justamente aí que o contexto brega mais se acentua, quando o eu-lírico percebe-se escravo da solidão; contudo, considero o refrão mais dramático, o que inviabiliza considerar a repetição como mostra da intensidade brega.
O refrão, o trecho mais conhecido da música, tem todo esse destaque devido aos seus versos cheio de significados. A cidade torna-se uma selva, pois a solidão o amedronta e o diminui, deixando-o inofensivo. Apesar da comparação dual utilizada, o verso seguinte que, para mim, é a mais bonita da poesia toda:
Pago tão caro o valor dessa saudade”
Sintaticamente este verso nada influencia na estrofe, mas o peso lírico e brega é imenso. Afinal, é nessa frase que o autor resume todo o seu sofrimento: ele paga tão caro – com inofensividade, tristeza, loucura e quem sabe até a morte, – o valor dessa saudade – que carrega de sua amada. Os versos que o sucedem, servem, então, para ratificar que tipo de pagamento é esse.

A poesia tem seus defeitos, que não são críticos e que não diminuem a música mas também, aliás, servem de enredo para a linguagem popular, muito próxima da utilizada pelo autor. Daí então, “Essa cidade é uma selva sem você” é um grande exemplo de música brega, de música bem escrita e de música que atingi seu público-alvo.
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* Cansado, mas feliz!
* Meu twitter: @caribeironeto

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ESCUTANDO NO MOMENTO: As Atrizes - Chico Buarque

LENDO NO MOMENTO: Alguma Poesia - Drummond - pg. 366 // Ladrão de Cadáveres - Patricia Mello - cap. 24.

Boa Sorte.