A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Cinco anos de Eufonia


Hoje, 19 de maio de 2011, comemora-se 5 anos da minha maior paixão. O Grupo Eufonia de Literatura. Antes chamado de GEP (Grupo de Escritores e Poetas), de Grupo Literário APPLE (Amantes da Prosa e Poesia, Lida e Escrita), o Eufonia já passou por profundas modificações ao longo de sua existência, que, acho, é o que marca fundamentalmente o nosso grupo: Nosso grupo é o que somos; se mudam as pessoas, muda o Eufonia.
Eufonia é o primeiro termo do nome científico do pássaro Vem-vem – há nome mais acolhedor que este? – e, como pássaros, não queremos gaiolas: Nossos encontros se chama “Arribações” e o local que nos encontramos se chama “Ninho” – pois queremos nos aconchegar.
Tenho profundo prazer em ser nomeado “Segundo-Ministro do Grupo Eufonia de Literatura”, liderando nosso grupo desde que eu e Pedro Gurgel o fundamos. Agora meu parceiro na organização é o “Vice-Rei” Hermes Veras, que ajuda bem mais do que imagina. Vou para de citar nomes por aqui, porque o número de pessoas que já passaram por nós é enorme.
Digo que o Eufonia é minha vida, pois nesses cinco anos muito já fiz para mantê-lo. Encontros de três horas, duas vezes por semana; aos sábado pela manhã; aos domingos à tarde. Já percorri muitos cantos da cidade, atrás de um local perfeito para residirmos. Já organizei encontros com mais de 20 pessoas; já organizei encontros para duas pessoas e já teve uma única vez que só eu apareci.
Contudo, pensar em desistir nunca foi hipótese. Não é possível minha vida sem um Grupo Eufonia de Literatura. Posso morar em outro lugar, posso virar milionário, posso ir para a cadeia. Em qualquer circunstância possível, em algum momento da semana, haverá uma arribação em algum ninho por aí.
Atualmente, nos encontramos na Biblioteca Pública Municipal Dolor Barreira, na Av. Da Universidade, em frente a Casa Amarela da UFC; toda terça-feira; às 19 horas e 10 minutos. Lá, podemos exercer nossas diretrizes:
      1. Teoricamente, um grupo de discussão e pesquisa literária;
      2. Na prática, uma reunião de amigos (ou para se fazer amigos), onde conversamos sobre literatura e adjacentes;
      3. E essencialmente, um local para ouvir e ser ouvido.

Finalizo com um de nossos lemas, que eu considero como a principal base do que construímos: A fuga do tema é fundamental.


CA Ribeiro Neto
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Álbum Gonzaguinha da Vida - Gonzaguinha
LENDO NO MOMENTO: Solar - Ian McEwan - pg. 88// A condessa sangrenta - Alejandra Pizarnik - pg.25


Boa Sorte || ApontArte

Metendo ou levando peia

Mais um texto com histórias do meu Ceará! Se você tem algo para me corrigir, não pense duas vezes, faça!



Metendo ou levando peia



Cearense é bicho inquieto mesmo. Sempre diminuído pelos outros, mas sempre marcou a história com a valentia e a habilidade de fazer algo diferente. Tratarei nesta crônica das batalhas cearenses e de como os desfechos foram sempre tristes, mas inusitados.
Canudos, a história contada por Euclides da Cunha, em Os Sertões; e por Vargas Llosa, em Guerra do Fim do Mundo, é bem conhecida e todo mundo sabe seu desfecho. O exército brasileiro chegou matando todo mundo, incluindo velhos, mulheres e crianças, sob a justificativa de eliminar uma sociedade comunista.
Tudo começou com um cearense, de Quixeramobim, Antonio Conselheiro, que saiu peregrinando pelo sertão e foi seguido até o interior da Bahia. Lá eles pararam, montaram suas barracas, produziam o que podiam em conjunto e o que não podiam, compravam, também em conjunto. Foi o suficiente para serem acusados de comunas. Os agricultores tiveram que se armar com o que podiam e resistiram bem, até que chamaram o capitão não sei das quantas, veterano da Guerra do Paraguai, para acabar com a “baderna”. Foi sangue, negada.
Confederação do Equador, alguns estados nordestinos se reuniram e queriam se desligar do Brasil. Entre os líderes, Frei Caneca. Essa força revolucionária, se eu não me engano, chegaram a tomar posse do Ceará e do Rio Grande do Norte, mas depois não resistiram ao fogo do exército brasileiro e não obtiveram sucesso.
A pena para Frei Caneca: fuzilamento na praça do Passeio Público. O procedimento normal seria sete soldados atirarem no alvo ao mesmo tempo, cada um em um ponto vital para que a “culpa” não ficasse numa pessoa apenas. Mas o Frei tinha moral, e ninguém queria atirar nele, então cada um dos sete soldados tiveram a ideia de não atirar e deixar o “criminoso” morrer com 6 balas letais. Resultado foi que o patente-superior-de-porcaria deu vários gritos de fogo e ninguém atirava. Teve ele que pegar sua arma e atirar somente uma vez para matar o cabra bom cearense.
Engraçado é que estou falando de religiosos liderando movimentações que geraram muito sangue, mas nada se compara a Padre Cícero. O Padim, que estava doido para ir na política, escondeu o ex-governador em Juazeiro do Norte, que estava sendo procurado. A polícia veio atrás deste último e o Cição não deixou; incitou a população a pegar em armas, que não deixaram ninguém entrar na cidade, fizeram os policiais fazer carreira, que batiam os calcanhares em suas próprias bundas. O padre aproveitou a situação e, dizem os livros de história, rumou com a população para Fortaleza, para tomar o poder. Assim o fez e se tornou Vice-Governador. Pacífico, né? É, é santo...
Mas loucura mesmo foi o caso da fazenda Caldeirão. Com a fama do Padre Cícero correndo muito, várias pessoas do nordeste inteiro vinham para perto dele. Assim, o Cariri ficou repleto de moradores de rua. Um grupo foi pedir ajuda ao Padim e, como ele tinha uma fazenda desocupada, este disse que eles poderiam ir para lá e trabalhar na terra. Como ele tinha ganhado uma vaca de um fazendeiro, aproveitou e disse para eles cuidarem da sua vaquinha. Pra quê? Começaram a endeusar essa vaca. Ganhava tudo do bom e do melhor.
O exército brasileiro, mais uma vez, achou que isso era coisa de comunas e sentou o pau. Sendo que eles tinham um brinquedo novo e resolveram usar só para não enferrujar: aviões de guerra. É isso mesmo, eles bombardearam uma fazenda cheia de brasileiros que só queriam viver na fazenda do seu líder. Mas foi peia, teve até uma resistência, mas não dava para comparar as forças e os recursos.
Mas esse negócio de lutar vem desde bem antes, o Siará foi uma das últimas capitanias hereditárias a serem colonizadas porque os índios daqui eram muito valentes. Holandeses e franceses bem que tentaram dominar o local, mas os bugres fizeram eles pedirem pinico. Os portugueses só conseguiram se chegar devagarinho por causa de acordo realizado entre as duas partes. E só para não falar de religião, esse cessar fogo teve a mediação dos jesuítas Francisco Pinto e Pereira Filgueira.
Só para polemizar o final: catolicismo e batalhas, coincidentemente entrelaçados?


CA Ribeiro Neto
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Gil Luminoso - Gilberto Gil
LENDO NO MOMENTO: Brincar com Armas - Pedro Salgueiro - Pg. 69 // A condessa sangrenta - Alejandra Pizarnik - pg.25


Boa Sorte || ApontArte

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Estrelas justapostas

Última poesia que escrevi, numa noite de vitória do vozão e bom papo com amigos.

Estrelas justapostas


Desculpem-me quem for conservador,
para quem for constrangedor,
por não ser defensor das juras de amor
ao céu do interior.

Se o seu céu é azulado,
mais estrelado,
não me desagrado ao admirá-lo.

Mas não diminuam meu céu urbano,
que é lindamente mais negro,
meio roxeando.
Nossas nuvens são véus,
que não deixam ao léu
nossos troféus:
A lua e as estrelas, que,
não se oponham, também são nossas
e que, combinadas
com as luzes justapostas,
tornam os postes,
as janelas dos apartamentos
em estrelas caídas -
loucas para realizarem desejos.

CA Ribeiro Neto

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 ESCUTANDO NO MOMENTO: Hoje - Dalva de Oliveira
LENDO NO MOMENTO: As Religiões no Rio - João do Rio - pg. 210 // A condessa sangrenta - Alejandra Pizarnik - pg. 13

Boa Sorte || ApontArte

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Carta-cantada, e outras segundas intenções.

Cartas estão fora de moda, mas porque não revivê-las? Se o objetivo é a comunicação, fale por elas e pelas entrelinhas. Carta-cantada é um conto que escrevi com o pseudônimo Wallace Lago e que saiu do meu livro 'Desenho Urbano' aos 45 do segundo tempo.




Carta-Cantada



Com licença, mas, observando-a, tenho a impressão de que você é muito inteligente. Exatamente por isso, que me utilizo deste papel, para saber se estou à altura. Se minha dedução estiver correta, você, como mulher inteligente, deve se interessar por pessoas de mesma qualidade.

Você deve estar achando estranho essa carta-cantada, porque o que eu escrevi até agora, nem mostrou se sou inteligente, como também não demonstrou nenhuma palavra de conquista, então irei começar.

Quando a vi chegar no cinema, sentar relativamente próxima à cadeira em que eu estava, colocar os óculos e rodar a vista em toda a sala de projeção até pará-la em mim, percebi que me deparava em um momento único. Senti-me atraído por você só de te olhar, mesmo sem conseguir distinguir seu rosto e seu corpo. As únicas coisas que eu conseguia visualizar era seu loiro cabelo, sua roupa preta, seu jeito de se movimentar e, principalmente, de olhar.

Inclusive, esse último, foi o que mais chamou a minha atenção. Um olhar diferenciado, que demonstra não estar procurando algo, mas deixa claro que não lhe permitiria escapar nada. Um olhar lúcido, de segurar os pés no chão, mas também servia como âncora para os sonhos e para a paixão.

Um olhar filtrador, que não deixaria o caminho aberto para qualquer marmanjo, permitiria apenas os que julgasse dignos de oportunidade.

Logo após esse nosso cruzamento de olhares, o filme começou. Não fui conversar com você nesse momento, porque não queria atrapalhar o seu momento de distração, mas depois notei que a minha espera não adiantou, pois você não parava de olhar para trás (sempre esse seu olhar...). À partir desse fato, eu indago: quem de nós dois prestou mais atenção no filme? Se a resposta for o meu nome (César Alves), aconselho-te a me responder agora!


Wallace Lago

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Falando em cartas, indico uma música antigona, revivida por Luiz Melodia, no álbum Estação Melodia: Recado que Maria Mandou.

Indico também o conto 'A Carta', do mestre Moreira Campos, incluso no livro 'Dizem que os cães vêem coisas' [Não encontrei link para o texto].

Indico também um outro texto meu, há muito tempo postado: Um texto rápido para desabafar.

CA Ribeiro Neto
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ESCUTANDO NO MOMENTO: A mais bonita - Chico Buarque
LENDO NO MOMENTO: As Religiões no Rio - João do Rio - pg. 174 // Inimigos - Pedro Salgueiro - pg. 49

Boa Sorte || ApontArte

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Flora Figueiredo de sobremesa


Flora Figueiredo foi um achado. Indicado pela minha amiga Deniz, escolhi um livro dela na estante aleatoriamente e estou lendo em doses lentas, mas saborosas – este livro é uma goloseima e não um remédio. Entro na Livraria Cultura dez minutos mais cedo do que deveria voltar do horário de almoço, sento numa poltrona e leio alguns poemas do livro 'Amor a céu aberto'. Muitas poesias perfeitas, outras medianas, e uma ou outra que eu tentei, mas não consegui entender, confesso. Flora Figueiredo virou minha sobremesa, se vamos comer Caetano, deixem-me saborear Amor a céu aberto e lamber os dedos. Destaco agora a que mais gostei dela:


TRANCOS, PLANÍCIES E BARRANCOS


Terrenos acidentados e planos
vêm escrevendo a minha história.
Alguns danos sei de cor,
outros, a memória jogou fora.
Dos sucessos, guardo agora
fitas, flores e fatos,
sorrisos no porta-retratos,
um rosto suando conquista.
(Página dupla pra qualquer revista.)
Envelheço em todo fevereiro,
que prefiro receber de frente,
que costumo sentir de corpo inteiro.
Quando chegar minha data final,
que se transcreva exatamente igual
em minha cripta:
"Intensamente, amou e viveu.
Felizmente não morreu invicta."


Flora Figueiredo,
no livro Amor a Céu Aberto


Ela tem um jeito único e bem feminino de escrever sobre tudo. A vida é difícil para todos, não adianta comparar, o interessante é como olhar para os trancos, planícies e barrancos. “Página dupla para qualquer revista”, pois a vida não é um livro, que trata de basicamente um assunto, ela comporta vários e ao mesmo tempo.
Também prefiro receber de frente o que costumo sentir de corpo inteiro. Afinal, adrenalina no corpo é sempre bom, não acham? Digo, as vezes o que causa a liberação do hormônio pode ser a fuga de um cachorro bravo, uma briga na fila do banco ou o primeiro beijo do garotinho, mas, olhando isoladamente, é bom sentir a adrenalina percorrendo nosso corpo inteiro – e é preferivelmente bom que o primeiro beijo seja de frente ao correspondente também!
Intensamente amar e viver é jogar; e quem joga está passível de erro e de derrotas. Passar por isso invicto seria não aprender nada, seria não sentir adrenalina.
Felizmente li Flora Figueiredo.


CA Ribeiro Neto
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Não fale desse jeito - Ana Carolina
LENDO NO MOMENTO: Pelos Olhos de Maisie - Henry James - Pg. 206 // As Religiões no Rio - João do Rio - pg. 126 / Amor a céu aberto - Flora Figueiredo - Pg. 68.

Boa Sorte || ApontArte

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Wallace no divã

Quem acompanha meu blog há muito tempo já conhece meu pseudônimo Wallace Lago. Há anos, eu e minha amiga psicóloga Vivi Lima resolvemos fazer uma consulta com Wallace, via msn. Anos depois, hoje, remoendo meus arquivos, encontrei esse arquivo muito engraçado que eu modifiquei literariamente para apresentar aqui, a vocês. Não sei vocês, mas eu achei que o Wallace, nesse texto, fez papel de bobo.

Wallace no divã



Wallace Lago: Bom dia!
Melinda Laranjeira: Bom dia, Wallace, pode se sentar, por favor.
Wallace Lago: Obrigado. Mas estamos em desigualdade: você sabe o meu nome e eu não sei o seu...
Melinda Laranjeira: Melinda Laranjeira, prazer! Serei sua psicóloga e conversaremos um pouco sobre vocês, tudo bem?
Wallace Lago: O prazer é todo meu, Melinda! Você será minha psicóloga, mas eu serei para você o que quiseres...
Melinda Laranjeira: bem, o que te motivou a procurar essa consulta?
Wallace Lago: me sinto um pouco discriminado na sociedade, muitos me veem com maus olhos, apesar do relativo sucesso que faço.
Melinda Laranjeira: e porque te veem assim?
Wallace Lago: porque gosto de fazer as coisas das quais tenho vontade e de conquistas pessoais que tenho interesse. O desejo carnal para mim é muito importante, mas a sociedade nega-a a si, então eu sou o errado da situação.
Melinda Laranjeira: o que você chama de desejo carnal?
Wallace Lago: o desejo de se envolver com outras pessoas, na verdade, no meu caso, apenas do sexo oposto. Sinto um grande prazer interior ao conquistar mais uma garota e faço disso um dos meus objetivos de vida. Quem não procura seu prazer interior? Mas sou taxado de galinha, de safado e muitas vezes também faço os outros sofrerem...
Melinda Laranjeira: e o que você faz da vida, além das conquistas?
Wallace Lago: eu escrevo, sabe, sou o chamado ghost writer, escrevo minhas histórias reais e vendo para escritores famosos continuarem suas famas. Principalmente em novelas, muitos ali sou eu.
Melinda Laranjeira: e quando começou essa sua sede de conquistas?
Wallace Lago: humm, no começo da adolescência... tinha uma vizinha bem mais velha do que eu, ela me seduzia com presentes e depois pedia que eu retribuísse...
Melinda Laranjeira: Quantos anos você tinha?
Wallace Lago: onze, doze, não me lembro ao certo. Ela me ensinava de tudo, tipo, o que eu devia falar para as mulheres, o que elas esperam de um homem. Coisas que julguei que todo homem deveria saber.
Melinda Laranjeira: mas você considera que sabe mais que os outros homens, não?
Wallace Lago: na verdade, quando descobri que muitos homens não sabem o que eu aprendi, passei a usar isso a meu favor e passei a aplicar tudo que eu aprendi com minha vizinha. Também ela me incentivava a ter namoradinhas e a aplicar o que me ensinava. Daí comecei a aprender também por conta própria.
Melinda Laranjeira: Você estudou, Wallace?
Wallace Lago: estudei sim, sempre em escola pública. Concluí o ensino médio. Na verdade, minha vizinha também me incentivava a estudar. Dizia que mulheres importantes se importavam com isso e que eu deveria me esforçar, principalmente no português, para saber falar direito.
Melinda Laranjeira: Tem mais alguma coisa que você considere importante a me contar, Wallace?
Wallace Lago: por enquanto, deixa eu ver, por enquanto acho que não. Mas quero voltar aqui mais vezes, pode ser? Gostei do seu cheiro e queria senti-lo mais uma vez...
Melinda Laranjeira: seu único objetivo seria sentir o meu cheiro?
Wallace Lago: não, de jeito nenhum. Preciso entender mais algumas coisas minhas, mas é claro que seu cheiro me ajudará a voltar...
Melinda Laranjeira: ainda não consigo perceber o que você deseja entender.
Wallace Lago: quero entender o que todos veem de tão errado em mim.
Melinda Laranjeira: você vê algo de errado em você?
Wallace Lago: ninguém é perfeito, né? Mas é complicado ver todos me olham como se estivessem vendo o capeta...
Melinda Laranjeira: Bom, Wallace, acho que seria interessante conversarmos mais uma vez antes de eu ou você decidirmos por um processo terapêutico. Qual a melhor data para você?
Wallace Lago: quando você puder, depende da sua agenda. Quem sabe na sexta a noite, na sua casa?
Melinda Laranjeira: sexta a noite seria ótimo, termino um paciente às vinte horas. Nos encontramos aqui, certo?
Wallace Lago: sim, no consultório pode ser também...
Melinda Laranjeira: e acho melhor se contar, Wallace. Ou você quer uma psicóloga ou procura um novo caso. A vida é feita de escolhas.
Wallace Lago: tudo bem, posso escolher uma opção agora e deixar a outra para depois. Então, já me vou indo.
Melinda Laranjeira: Até sexta!
Wallace Lago: Até! [um beijo na mão de Melinda]



Vivi Lima & CA Ribeiro Neto

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ESCUTANDO NO MOMENTO: Nunca te amei, idiota - Ana Carolina
LENDO NO MOMENTO: Pelos Olhos de Maisie - Henry James - Pg. 112 // As Religiões no Rio - João do Rio - pg. 126 / Amor a céu aberto - Flora Figueiredo - Pg. 48.

Boa Sorte || ApontArte

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobre ausências, por mim e por Domingão

Último livro que li foi Luzia-Homem, do cearense Domingos Olímpio. Muitos só conhecem esse nome porque é numa rua em sua homenagem que ocorre o carnaval mais tradicional de Fortaleza. Mas todo cearense deveria ler esse livro que periga ser o melhor livro que li em 2011. Nele há um trecho muito bonito, sobre a lua e a saudade que Luzia sente do seu amado, com o acalento da amiga Terezinha:

"- Que bonito luar, Luzia. Dá vontade à gente de passar a noite em claro. Como está bem visível! São Jorge e o cavalo empinado. Dizia-me um tapuio velho da Serra Grande que a lua protege a quem quer bem. Quando uma tapuia gentia tinha saudades do marido ausente, olhava para ela, e lá lhe aparecia o retrato da criatura querida, ou nela casavam, conduzidos pelos olhares, as almas do par, separado por léguas de distância.

Luzia, maquinalmente, olhou para a lua a navegar serena no céu nítido, e pensou que, àquele momento, Alexandre também a contemplava, triste e só, por entre as grades do cárcere infecto." - Luzia-Homem, de Domingos Olímpio, pg. 101.

Falando de saudade e da vontade de estar perto, vai uma poesia minha, só para não dizer que não teve nada de meu nessa postagem:

Sempre Presente


Eu queria estar sempre presente
Nas suas horas de agonia,
No momento de calmaria,
Totalmente em sua vida.

Quero estar sempre presente
Nos seus sonhos e orações,
Quero estar em seus grilhões
De forma voluntariosa,
Pode ser impiedosa,
Mas quero estar sempre presente.

Quero te dar toda a atenção
E em meu coração
Você está sempre presente.
Para acabar com a solidão,
Para repetir-me à exaustão
Vou estar sempre presente.

CA Ribeiro Neto
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ESCUTANDO NO MOMENTO: A fim de voltar - Tim Maia
LENDO NO MOMENTO: Pelos Olhos de Maisie - Henry James - Pg. 43 // As Religiões no Rio - João do Rio - pg. 101 / Amor a céu aberto - Flora Figueiredo - Pg. 40.

Boa Sorte