A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Significados - 4º NEM - Chão

Então, antes da Marcella Facó apresentar o editorial do NEM Chão, eu tinha escrito uma prosa rimada para ser o editorial. Como ela fez um também, resolvemos variar e colocar o dela como editorial e eu transformei a minha prosa em uma poesia sobre os significados do chão. Para a postagem aqui no blog, eu retirei uma parte do final, pois este estava muito tosco e essa nova versão que irá para o e-NEM.


Significados

Chão. Nome duro e forte
Como o significado pede.
Firme sempre que é preciso,
Oscilante em terrenos imprecisos.
Segura a frágil rosa
E o grande furacão.

O chão pode não parecer flexível,
Mas me explique com clareza,
A variabilidade e a destreza
De seus significados escondidos?

Ele ou a sua ausência,
Podem demonstrar carências
Diante de problemas.
O que seria da cegueira,
Do momento de tristeza,
No cantinho da parede?

O chão segura a queda,
Aceita o abraço,
Causa muitos machucados,
Se molha com muitos prantos,
Recebe rezas de vários santos
Para que a natureza floresça
E abasteça o sertão,
Utopia ou devoção,
Se você quer explicação.

Ele não se aborrece
Ao ser pisoteado,
Melhor é ser lembrado
Pela firmeza de si mesmo.
Muito melhor é não ter medo
De não ser sempre útil,
Já que esse é o último
Pensamento que ele tem.

Afinal, a certeza que ele tem,
É de que sempre vai ter alguém
Para ajudar,
Mesmo que seja para guardar
Um corpo em silêncio.
Um trabalho tão intenso,
Intitulado de paz eterna.

Merece a nossa gratidão,
Pois aguenta a humana indecisão:
Na tristeza, saem em choradeira,
Dizendo “perdi meu chão”,
Na alegria, pulam em demasia,
Gritando um “sai do chão!”.

Na seca, no alagamento,
Na areia ou no cimento,
No tempo bom ou no ruim,
Ele sempre estará ali.
Para te receber e te perdoar,
Para te entender ou apanhar.
Para te fazer companhia,
Até quando você quer ficar sozinha.
Sua presença é certeza,
Onde quer que você esteja.

CA Ribeiro Neto
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* Olha a bienal aí, negada! Vou muitos dias, caso queiram companhia!
* Tudo em sua normalidade.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Acender as Velas - Nara Leão
LENDO NO MOMENTO: O que pode um aldeão em favor da fé - Deodato Maria da Silva - Pg 45
Boa Sorte

4 comentários:

Musa disse...

O que seria de nós sem chão?

Saudades!!!

um abraço,

Fau
P.S.: blog novo, passa lá.

Marília Maia disse...

entra no msn... depois passo aqui e deixo um comentário relativo ao texto.

Hermes disse...

Macho, o chão quase sempre estará sim, é engraçado a instabilidade de emoções e sentimentos que temos em relação ao chão mesmo, acho que não tinha percebido isso ainda, boa interpretação do "chão", que vocês transformaram em assunto bem legal, acho que não pensaria em escrever sobre isso. O começo já mostra a variedade, desde o furacão até a rosa. E bom, o mérito pelo assunto ser escolhido, e pelo poema, é justamente pelo fato da característica volátil desse chão safado, daí a dificuldade em querer se fazer um poema "homenagem" assim, enfim, gostei mesmo.

Thiago César disse...

axei o começo meio tosco, mas depois foi melhorando...

"na seca, no alagamento / na areia ou no cimento" tah deizano! HAI!