A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Em defesa dos canhotos

2º texto da série 'Tudo ao meu redor', 'Em defesa dos canhotos' é uma crônica que enumera curiosidades sobre os canhotos. Apontado por Paulo Henrique Passos como a minha melhor crônica, eu não sei se concordo, mas considero-a entre as principais.



Em defesa dos canhotos



Vivo um caso de fascínio e rancor com as poesias de Drummond. Fascínio por considerá-lo o poeta brasileiro mais completo que já li e rancor porque, ao lê-lo, não me senti mais capaz de fazer poemas, dedicando-me quase exclusivamente às prosas. Porém, ao ler o poema 'Hipótese' do mestre que diz assim “E se Deus é canhoto/ e criou com a mão esquerda?/ Isso explica, talvez, as coisas deste mundo” deu-me um comichão em minha mão esquerda que pulsava por caneta e papel.
Canhoto que sou, devo manifestar-me sobre o que sempre vejo escrito por aí. É tanta coisa louca, que não sei como a mente humana pode inventar tanta coisa em cima do nada. A principal é que os canhotos tem relação com o diabo, mas também tem outras coisas que falam, como, por exemplo, chamar canhotos de deficientes físicos, sem falar dos que são obrigados a usar a mão direita no colégio.
Nasci numa família em que três de um total de cinco são canhotos, então, não me considero exceção. No entanto, encontrei em vários lugares que cerca de 10% da população mundial é canhota, o que nos torna um mercado consumidor nada atraente. Tesouras, carteiras, talheres, abridores de lata etc. Há vários objetos desenvolvidos para a mão direita e que é complicado achar similares para a outra mão.
Há uma piadinha nada científica que os canhotos defendem que é: Deus criou poucas pessoas especiais, o resto é destro. Realmente não tem nada de científico, mas enumerando alguns nomes podemos repensar esse caso. Na arte e na ciência, é incrível o que podemos encontrar: Aristóteles, Bach, Michelangelo, Bob Dylan, Chaplin, da Vinci, Hendrix, Einstein, Kafka, Mozart, Newton, Nietzsche, Picasso, Goethe, Ringo Starr, McCartney (50% dos Beatles!).
Na política então, nomes importantes, mas alguns não tão especiais para Deus, eu acho: Simon Bolivar, Napoleão, Bush, Fidel, Churchill, Clinton, Ford, Gandhi, Alexandre, O Grande, Kennedy, Obama, Ramses II, Truman, Rainha Vitória e mais um monte de reis ingleses.
No Brasil, diminuí a lista para nomes realmente mais interessantes. O nosso esporte tem muito o que agradecer aos canhotos como Romário, Garrincha – que numa seleção brasileira ideal e a-histórica eles certamente seriam convocados – e o grande Ayrton Senna – talvez a pessoa que mais representou as características do povo brasileiro no campo do esporte mundial.
Nas artes encontrei nomes como Scandurra, Nachtergaele e Jô Soares, mas o destaque fica para o que é considerado pela maioria dos leitores, o maior escritor que o Brasil já produziu, Machado de Assis. No dom científico, o mais conhecido canhoto brasileiro, Santos Dumont, o inventor do avião e do relógio de pulso – seria esse o motivo para todos, inclusive os destros, usarem o relógio na mão esquerda?
Voltando à história de que relacionam os canhotos ao diabo, nós também não colaboramos contra isso. O dia do Canhoto é justamente no dia 13 de Agosto, tanto o dia quando o mês carregam lendas de terror.
Cientificamente o que se tem em consenso é que o canhoto desenvolve mais o lado direito do cérebro, mas há teorias acreditando que é esse lado direito que domina a criatividade, as emoções e a intuição, o que poderia indicar tantos grandes artistas e líderes assinando suas obras com a mão esquerda.
Poeta que sou, digo: os cientistas que me perdoem, mas o cérebro não tem nada haver não, o que destaca mesmo os canhotos dos demais é que a mão esquerda, devido à proximidade, recebe com mais energia os fluidos emanados do coração.

CA Ribeiro Neto
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* Na próxima terça, 1ª Sarau do Eufonia, com o tema PERDA;
* Tudo em paz em minha vida.
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ESCUTANO NO MOMENTO: Soneto do teu corpo - Martinália

LENDO NO MOMENTO: Os Lusiadas - Camões - pg. 188

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Porra de Politicagem pecuniária!

Começando hoje mais uma série 'Tudo ao meu redor', faço uma seleção de 4 crônicas que fiz, todas esse ano, e que não entraram no meu livro, Desenho Urbano. 'Porra de Politicagem Pecuniária' eu fiz no começo do ano, na esperança de trabalhar na área em que me formei. Guardei-a até hoje, para publicá-la quando conseguisse um emprego. Já que não estou nessa área mesmo e estou feliz em meu trabalho, eis a crônica. Nessa série entra ainda 'Em defesa dos canhotos', 'Respeitem meus cabelos' e 'Miranda e a morena da janela'




Porra de Politicagem Pecuniária!

Eu tenho um sonho: trabalhar com política. Não quero ser político, não me interesso nem um pouco pela carreira. Mas sou apaixonado pela política, com a ideia de trabalhar pela coletividade, pelo público, para pessoas, diretamente em prol da sociedade.
Mas um bocado de “P” vem atrapalhar com meus planos. Um bando de porras-loucas que confundem política com poder, público com privado, fazendo politicagem, um partidarismo pervertido, uma pouca-vergonha sem pausa.
Ficam a paralisar os processos legislativos, a providenciar o supérfluo, a persuadir a população com suas promessas que não serão cumpridas pontualmente, a permear os partidos e cargos públicos, por propósitos incertos.
Parece mais que eles precisam pisar na gente para perceberem-se primeiramente importantes. É muita pompa, paletó, gravatas no pescoço, pizzas nas CPI's, pensões alimentícias, retribuições pecuniárias, paradas militares para recordar as passagens históricas que, como percebemos, pouco tem haver com a população.
Meu sonho virou pesadelo. É complicado supor mudanças, produzir esperança, acreditar que corrupção pode ser impedida, punida e, por fim, expirada.
Chega dessa letra. Agora digo-vos que estudo crendo nisso. Estudo com a intensidade de quem sente que tudo deve ser diferente e que, acreditem, assim será.


CA Ribeiro Neto

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* Tempos quietos as vezes me assustam... parece que quando demora para acontecer algo é que vem algo importante por aí.
* Pois é, é isso.

ESCUTANDO NO MOMENTO: Quase fui lhe procurar - Luiz Melodia

LENDO NO MOMENTO: Os Lusiadas - Camões - pg. 168

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Release de Victor Hudson

Finalizando a série 'Experimentar...', este texto foi-me encomendado por meu amigo Victor Hudson, guitarrista da banda Baque Lírico, para explicar seu trabalho musical em seu myspace.



Release - Victor Hudson

Victor Hudson, guitarrista e violonista cearense, dispensa apresentação quando se é escutado, mas não o sendo, vamos às palavras. Seja em encontros informais de amigos ou em seus ofícios de professor de violão ou em bandas que toca –  Bonilas e Baque Lírico - ou tocou – Fulano Falando; - , ele sempre demonstra seu carinho e dedicação ao instrumento que escolheu para aderir ao corpo. Seu contato com a guitarra e o violão é intenso, afinal, tê-los como comida, dormida e respiração o faz se especializar e se experimentar cada vez mais, em diferentes sons. Do maracatu ao samba, do rock à músicas infantis, do xote ao choro, do frevo à bossa nova, do brega ao blues, Victor Hudson se aventura por ritmos diversos que cresceu escutando ou que buscou escutar. Suas composições são perfeitamente harmoniosas, tanto no sentido musical, quanto no literal; a relação entre letra e instrumento são equiparadas, cada um exercendo sua função devidamente e, principalmente, sua música demonstra duas características encontradas no músico e no ser que é e que, aliás, é muito difícil se encontrar juntas: intimismo e energia.


CA Ribeiro Neto
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* Na foto, Raíssa Ribeiro como noiva da quadrilha.
* Sem novidade nessa semana.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Descoberta - Los Hermanos

LENDO NO MOMENTO: Os Lusiadas - Camões - pg. 107 / Revista da Cultura - mês de Agosto

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mais um dueto - ACCA

Mais um dueto postado aqui no blog, este feito com Ana Cláudia, que assina seus textos como ACUA, pessoa muito especial para mim! Este poema não foi produzido do mesmo modo do outro, onde cada um colocava um número de fixo de palavras; ele nasceu de uma conversa de msn, e depois lapidado para formar estes versos.


Na metáfora do canibalismo,
quem devora ou é devorado
Seus braços e abraços?
Seus olhos e tatos?

Na metáfora do canibalismo,
quem mutuamente se metamorfoseia em presa?
Aquele que se deixa ser? Aquele que finge atacar?

Na metáfora do canibalismo,
ambos (se) consomem, ambos (se) protegem,
ambos (se) harmonizam.

Não há polo separado. Tudo é conjunto, uno...

Acua e CA Ribeiro Neto, via MSN.
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* Ah, é sem título mesmo! Não encontramos um que nos satisfizéssemos!
* Eufonia à mil maravilhas! Quem quiser participar, é só avisar!
* De resto, tudo tranquilo!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Tudo - Gonzaguinha

LENDO NO MOMENTO: Os Lusiadas - Camões - pg. 77

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim