A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Advogando em favor dos livros de bolso

Crônica adaptada da pesquisa que fiz para apresentar internamente aos vendedores da Livraria Cultura.


Advogando em favor dos livros de bolso



Livreiro que sou, por vendê-los, pelo carinho e pelo desejo de criá-los, sempre me dedico a entender não só de literatura, mas de editoração também. Liso que sou, consumo os livros de bolso de editoras nacionais. Daí, venho em defesa desse tipo de livro.
Muitas pessoas fecham a cara para esse tipo de livro, alegando ser péssimas traduções, ter as letras muito pequenas, ter uma qualidade muito inferior em relação aos livros normais. Em algumas partes eu concordo, mas na grande maioria das situação, isso não é bem verdade.
Os LdB (assim que chamarei os livros de bolso, de agora em diante) foram criados na Alemanha com o objetivo principal de baratear os custos da produção de livros e, assim, ampliar o acesso à leitura. Utilizando materiais de qualidade inferior e formatações menores, esses livros passaram a ser publicados e consumidos de forma mais cotidiana, quase descartável. Talvez doa menos o coração ver um LdB jogado ao lixo, acho. E, afinal, o que importa mesmo não é o conteúdo?
Desta forma, a produção mundial de LdB acabou se tornando padrão, pouco depois do lançamento em tamanho normal, encadernado etc. É desse jeito mesmo, vamos dá um exemplo: você quer comprar uma sequência de 7 livros, onde 3 já foram publicados, um está sendo lançado no momento e 3 ainda serão publicados futuramente. Certamente você só encontrará os 3 primeiros em LdB e o resto em versão encadernada. Não adianta espernear, quando eles lançam o pocket, esgotam o normal!
Mas no Brasil, como em quase tudo que fazemos, temos o nosso jeitinho particular. Aqui, a qualidade editorial é muito melhor. Capas caprichadas e algumas de material muito bom. Não há LdB nacionais em papel-jornal, e conseguimos até encontrar editoras que publicam em papel-bíblia! Parece mesmo um livro normal que não pegou muito fermento!
Podemos considerar principais 8 editoras brasileiras: L&PM, Martin Claret (essas duas primeiras são as que tem o maior acervo e são especializadas nesse segmento); Ateliê Editorial, Globo e Hedra (as três tem livros de bolso e normal, mas usam a mesma marca); Bestbolso, Ponto de Leitura e Companhia de bolso (essas três são selos de editoras grandes: Record, Objetiva e Companhia das Letras, respectivamente).
Essas editoras grandes são um dos pontos de minha defesa. Muito se reclama das traduções dos LdB, mas confiam nas traduções das editoras conhecidas. Essas editoras não vão pagar um outro tradutor para fazer uma pior tradução só para colocar no selo de bolso! Eles apenas reformatam o texto em um tamanho menor!
Todas essas editoras tem uma grande variedade de literatura brasileira e portuguesa, que não precisam ser traduzidas. A Ateliê Cultural só publica autores brasileiros e portugueses, ou seja, nem vaga para tradutor tem lá! Algumas até escrevem na capa que os textos estão na íntegra para ver se os leitores acreditam mesmo!
Os preços também são bem convidativos: variam entre 8 e 30 reais. E é o que eu digo, quando me perguntam se não é melhor vender um livro de 50 reais; respondo que prefiro vender 3 de vinte reais cada!
LdB são bonitos, baratos, uns não precisam de traduções, outros são de traduções confiáveis. Claro que tem uns que são de tradução duvidosa, e que precisam de leituras bem próximas da dita pelo autor. Mas, sendo assim, aprenda a língua do indivíduo e vá ler do jeito que ele escreveu!


CA Ribeiro Neto
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* Primeira quinzena de 2011 indo e a média de 2010 já não se manteve, mas ainda há 350 dias para se reabilitar!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Erva Rasteira - Luiz Gonzaga

LENDO NO MOMENTO: João do Rio (biografia) pg. 30 // Dom Casmurro e os discos voadores - Machado de Assis e Lucio Manfredi - cap. 87.

Boa Sorte

7 comentários:

@rahribeirox disse...

adoro os livros de bolso e sou totalmente a favor deles! :D
gosto muito dos da L&PM ^^
beijão!

hermesveras disse...

Guto, não tenho problema com livro de bolso. Ainda acho que o preconceito( ou conceito) sobre o livro de bolso é sim, por que os livros são mais baratos, você tem uma maior acessibilidade, e ele não é fator de distinção nenhuma. Aqui, ler, ainada é um fator de diferenciação, e os livros no geral são "caros", logo vemos pessoas dizendo que vale a pena pagar tal preço em um livro e que a massa é burra e só pensa em gastar o mesmo com cerveja e festas. Mas o livro de bolso não, muita gente pode comprar, e tem rico que torce o nariz quando ver pobre lendo, oh se tem. Ainda mais essas editoras que só publicam clássicos. É de doer, ver aquele livro queridinho que ele demorou para ler e entender na mão de uma pessoa vestida de maneira não adequada. Resumindo; não me distingue, não me serve. Pura besteira, mas que se dá para racionalizar e compreender.

Zeto disse...

Cabra pra ler, mermão!
Tenho alguns LdB...
Macho véi eu quero entender: CA Ribeiro Neto disse... Cara, é engraçado como teu assunto praticamente é sempre o mesmo, mas ele nunca seca... sempre é bom ler teus textos.
Explicai, vai lá!
Sim e apaguei aqueles blogs lá q tu disse...

lucas lima disse...

Tenho muito livros de bolso,mas claro que adoraria que alguns livros de bolso fossem em edição normal,pois em varias ocasiões os livros que tenho de bolso os admiro mas em questão de edição normal(se assim pode ser dito).
Seu post como sempre otimo!

Thiago César disse...

papel-bíblia?
folhas douradas, é?
=)

Ciarlini disse...

Eu amo os livros da L&PM!!
tenho um monte e pretendo ter mais!!
Livros de bolso são muito bons,tirando os da Martin Claret...esses eu odeio U_U

Pedro Gurgel disse...

LDB, RULES!!!!!

É nóis Carlim: sem grana num bolso e com um LdB no outro!