A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pra dizer que te amo

Agora iniciando a segunda fase da série 'Sociedade', 'Pra dizer que te amo' é um texto pequeno, onde o fato principal ocorreu mesmo e, aliás, vive acontecendo, mas o que falei sobre o narrador-personagem é tudo invenção.

Pra dizer que te amo



Saio do trabalho às 16 horas. Vou para a praça de alimentação de um shopping próximo esperar minha namorada que só chegará às 17 horas, se ela cumprisse os horários prometidos.

Vou direto para uma das mesas, pois só comerei em companhia de meu amor. Sento-me, pego o celular e fico brincando com um jogo qualquer.

Então que sentam ao meu lado três pessoas: uma senhora na faixa dos quarenta anos, provavelmente a mãe, e dois jovens entre quinze e dezoito anos, aparentemente irmãos. Sentam-se, também não pedem nada e começam a folhear uma revista pequena que falava sobre os Estados Unidos.

Eu não sou de escutar as conversas dos outros, mas a deles especialmente chamou-me a atenção. Desde que eles chegaram, os jovens (supostos por mim como irmãos) praticamente desconsideravam a presença da mulher. Já ela, no entanto, tentava entrar na conversa, em vão, de qualquer jeito.

Os comentários ou perguntas dela não ganhavam respostas ou ganhavam de forma monossilábica e até ríspida. Como pode filhos tratarem sua mãe, ou simplesmente, um ser humano assim? O que terá feito essa mãe para merecer tal carinho? Que tipo de educação eles e/ou mesmo ela recebeu?

Saio do jogo do celular e faço uma ligação:

  • Alô, Mãe? Só liguei pra dizer que te amo!

CA Ribeiro Neto
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* Hoje, mais uma vez, show do Baque Lírico, agora no Acervo Imaginário!
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ESCUTANDO NO MOMENTO: No morro do pau da bandeira - Seu Jorge
Boa Sorte

10 comentários:

Di disse...

lendo esse texto, eu me lembrei de como gosto de ouvir as histórias dos meus avós, de como eu aprendo mto com eles e de como é importante dizer 'eu te amo'. A gente vê cada coisa hj em dia hein, =/

Di disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gi disse...

olha, realmente...

o individualismo crescente dos indivíduos de nossa sociedade me assusta demais!

Marcella disse...

Já vi coisa pior que monossilabas para com a mãe...

:/

Não que esteja infantil, mas ficou bom para crianças.

beijos

Pedro Humilde Lindão disse...

Tu já tinha me contado, e acho que até mostrado, essa história... Só me faz lembrar o quanto amo minha mãe!

OBS.: "Não que esteja infantil, mas ficou bom para crianças."

É verdade! Ache a linguagem da crônica fenomenal! É acessível para qualquer público e tem uma mensagem importante, direta, simples e bela!

êsse Carlim...

Thiago César disse...

soh axei estranho tu criticar a falta de carinho pela mãe quando na verdade o próprio fato daquelas pessoas serem mão e filhos é só suposição tua.
mesmo se fossem, não se poderia julgar sem saber o que aconteceu. kem sabe akilo seja soh ocasional, por causa de um desentendimento que antecedeu a cena, sei lah...

mas ficou bonitinha a ligação!
;)

Paulo Henrique Passos disse...

Cara, quando tu anunciou essa série "Sociedade" eu tive foi medo, eu pensei "vixe! só vem bomba agora"

Fui lendo e vi que são ao mesmo tempo pungentes e calmantes, sei lá.

Paulo Henrique Passos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Hermes disse...

pelo que ando vendo sobre mãe atualmente, de quanto me decepcionei com algumas coisas familiares, vou nem me impressionar com isso e posso até ficar no lado dos filhos. Pode ser que aquela mãe não seja tão boa assim. Pode ser tudo, naõ ficou muito claro no texto, que eu ja tinha lido pra varear. Desculpa a pressa kkk é que ta foda aqui.

A moça da flor disse...

bueno... tenho a mania de ficar viajando nas cenas que vejo. De sair um pouco do que só os meus olhos podem ver. Provavelmente iria viajar nessa cena também, apesar de correr pra essa compreensão provavelmente. Gostei bastante do texto! Levantou uma questão muito marcante nos dias atuais. Do extremo individualismo entre as pessoas. Não se considera mais o que outros têm a dizer, a não ser que seja de nosso interesse. Duvido que se a mãe houvesse prometido algo aos filhos eles não se apresentariam todo amorosos.
Ótima crônica, pra variar!

beijo bem grandão!