A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Siqueira?

Bem, agora posto um conto: 'Siqueira' é um texto já bem velhinho, escrito em 2005, onde, na minha opinião, tem um dos diálogos mais saborosos que já escrevi. Realmente me orgulho desse diálogo, mas vamos ver se vocês gostam. Para essa série, 'O Recado está Dado', eu tinha selecionado 8 textos, do quel esse é o terceiro, mas, como escrevi uma fábula ontem que se encaixa nessa série, adcionarei a fábula para fechá-la.

Siqueira?

Ana aceitou sair com ele mais uma vez, só pela consideração aos 3 anos e 7 meses de namoro. Ela sabia que ele ia tentar de tudo para reconquistá-la e então ficou ensaiando o que dizer quando o indivíduo começar a mentir.

João Paulo já era escorraçado pelas amigas de Ana. Pela família então, não queriam nem escutar o nome dele. Mas é que o pobrezinho era tão prestativo... fica ajudando a tia solitária e doente, que mora distante e tem recaídas coincidentemente em horários inusitados. Uma mentira tão bem elaborada, que engana a todos no começo e só a apaixonada no final.

Conselho é sempre bom, o que deveria ser pago era a assimilação da ajuda em forma de palavras, afinal, tentativas das amigas não faltaram, o problema é que todos merecem mais uma chance...

Se encontraram na lanchonete de sempre, beijos no rosto, um abraço forte (por parte dele) e foram se sentar, pediram o de sempre (será que tudo vai se repetir?) e começaram a conversa:

- Ana, eu quero que saiba que sei que errei e não vou inventar nenhuma desculpa.
- João, isso já é outro problema! Vamos primeiro tratar do que já temos!
- Está bem! Sabe a minha tia?
- Eu sei que não tem tia!!
- É verdade... não tem, mas é que não posso te contar a verdade...
- Você está me enganando a mais de 3 anos e 7 meses???
- Não sei quem eu tou enganando, você ou eu...
- Você deve ser muito besta pra se enganar...
- Ana, eu sou casado.
- Que??? — Chega o garçom, todo embaraçado (como sempre) e deixou o pedido deles, o que esfriou um pouco a conversa. Quando ele foi embora, JP torna a falar:
- Minha mulher está doente, em estado crítico, um câncer... por isso não posso me divorciar, tenho que ajudá-la. Eu achava que ela era o amor da minha vida, até te conhecer, só que aí já era tarde demais, já estava casado e tendendo à viuvez. Se eu te contasse tudo isso, teríamos namorado?
- Não...
- Só me restou viver este amor proibido contigo enquanto as coisas não mudam...
- Eu não vou ficar esperando a tua mulher morrer!
- E eu nem te peço isso! Vou me afastar da pessoa que mais amo para não machucá-la!
- Não! Olhe... podemos nos encontrar de vez em quando... quando a saudade apertar...
- Se for quando eu sentir saudades, então vai ser sempre!
- Ô...amor! — Um beijo acontece.

O garçom, apaixonado por Ana, esmurra um pobre cachorro-quente. Ana e João Paulo passam mais duas horas juntos e depois ele se despede dela, porque tem que ir para casa que fica em Messejana.

No terminal do Papicu, ele pega o ônibus que vai para o Siqueira, passa um lenço nos lábios, pega um perfume na mochila e se reperfuma.

CA Ribeiro Neto
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* Ganhei o Almanaque Armorial de Ariano Suassuna do meu irmão pela minha formatura!
* Desse jeito vou estudar para me formar num curso em cada ano! heuhreurherhuh
* Nessa segunda-feira será a minha colação de grau, na Assembleia Legislativa e com transmissão ao vivo pela TV Assembleia, canal 30, às 18h.
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ESCUTANDO NO MOMENTO: Novamente - Ney Matogrosso - CD Inclassificáveis (música linda, meu Deus).
LENDO NO MOMENTO: Do Contrato Social - Rousseau -Pg. 53 (essa li umas crônicas de um outro livro, por isso não adiantei mais esse... e com esse do Suassuna, não sei como ficará a leitura do Contrato... hehehe).

Boa Sorte

6 comentários:

Xisberto disse...

Coitado do cachorro-quente! Ri muito dessa!
O Suassuna foi pela formatura, pelo aniversário e de Natal, olha a economia que aprendi com a mãe, hehehe.

Virgínia disse...

iiieeeiiii
Amei! só pra rimar... kkk
Pobre coitada, da Ana.. infeliz abestada!

Hermes disse...

Era mentira?Porra, eu sou ingênuo, acreditei no cara. Arff...=/ que situação doida essa que tu criou, achei bem interessante. E a tua fábula ficou genial. kk

Marcella disse...

Eu leeeeeeeembro dessa!!!!
Tu tah revivendo os contos?????
:D

Ah! adorei teu comentário.

beijos

Paulo Henrique Passos disse...

"Era mentira?Porra, eu sou ingênuo, acreditei no cara." [2]

Merece umas porradas esse João Paulo. hehehe

Thiago César disse...

mah, desde o começo eu jah sabia q ele tava mentindo, e achei o dialogo normalzim, nada de mais... talvez pq nao fui eu q escrevi e nao sei como deve ter sido dificil, sei lah.
mas o conto tah legal, bem realista dessa vez! hehe...