A dança da alegria

A dança da alegria - CA Ribeiro Neto

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Maciel e o Museu das Histórias

'Maciel e o Museu das Histórias' totalmente ficcional, não aconteceu de verdade, mas pode muito bem ter acontecido. A intolerância de algumas pessoas em relação aos considerados "inferiores" socialmente é um fato comum na nossa sociedade. Essa crônica abre a série 'Sociedade' que terá um total de 8 contos, 4 antigonas e 4 recentes!

Maciel e o Museu das Histórias



As bibliotecas do mundo todo são conhecidas por seus acervos numerosos, criando, indiretamente, uma idéia de passado. O Museu das Histórias. Talvez, por isso, nunca tenha chegado ao povo casos acontecidos dentro destes estabelecimentos.

Maciel é um faxineiro terceirizado de uma biblioteca. Transita de jovem para adulto e sua escolaridade é o Ensino Médio – mas foi todo em escola pública. Depois de dois anos desempregado, consegue esse emprego na Biblioteca, sempre com aquela desculpa de “é só enquanto eu não consigo coisa melhor”.

Certo dia, ele estava varrendo por entre as estantes, próximo às mesas de leituras e sem querer jogou poeira nos pés de uma menina muito da metida a besta. Na mesma hora, ela o xingou de tudo que era nome, o chamou de louco e ainda jogou um copo plástico vazio contra Maciel, que estava calado, de cabeça baixa, pensando em seu emprego. Tenho para mim, que esta menina não passava por um dia bom. Aliás, espero que tudo isso tenha sido devido a apenas um dia ruim e que ela não seja assim sempre!

Enfim, depois desse discurso antipático, ela se retirou quase correndo. Quando o faxineiro iria voltar ao seu ofício, percebeu que a garota tinha esquecido sua bolsa em uma cadeira ao lado da que ela estava sentada. Rapidamente, ele pegou a bolsa e saiu correndo para devolvê-la. Só para constar, já que não precisaria nem falar, todos no local assistiram a tudo.

Quando Maciel volta, o segurança até pergunta se tudo tinha se resolvido e ele afirma que sim – é claro que todos os presentes estavam esperando por esta resposta. Ele volta a varrer, achando que tudo já tinha se resolvido, quando a mulher da mesa ao lado àquela outra também se levanta, deixando um papel em cima da mesa.

Antes que ela se distanciasse, ele a chamou, mostrando-lhe o papel. Sendo que, de longe – e mais uma vez chamando a atenção de todos – ela respondeu “Não é mais meu! Estou dando-o a você. Leia!” e se retirou. Quando ele abre o bilhete, vê um recado assim:


"Sr., acabei de ver uma cena feia e bonita ao mesmo tempo. Preconceito e má-educação, pela parte feia e honestidade e respeito pela parte bonita. A parte bonita foi toda sua. Se, por um acaso, você perder seu emprego devido a esta história, ou se me permitir conhecer esta pessoa maravilhosa que deve ser você, me procure no e-mail: vendaspelainternet@internet.com."


De fato, ele perdeu o emprego, e de fato, ele procurou a mulher no modo indicado, mas como o e-mail voltou, acabou ficando por isso mesmo.


CA Ribeiro Neto
--------------------------------

* Última chamada para o Sarau! Eu e mais três poetas declamando!
* Nessa sexta-feira; no CA de Letras da UFC (naquela parte das casas de cultura); ás 20h!
* Não paga nada, é só chegar!
* Fora isso, nada...
--------------------------------

ESCUTANDO NO MOMENTO: Taj Mahal - Jorge Ben e Monobloco
Boa Sorte

5 comentários:

A moça da flor disse...

xD
sim sim! o farei agora :D

gostei do final! gosto de finais inesperados! achei legal também a parte “Não é mais meu!" deu um ar de poesia no texto (engraçado como quem escreve poesia também, não consegue se desvencilhar dela em prosa xD).
quando ao texto como todo... Achei que ele ficou um pouco perdido no ar, não por causa do final... acho que faltou um pouco de descrição.... talvez seja só a minha mania de sempre querer me ambientar bem nas histórias... ;p
mas gostei do texto de qualquer forma!!!
Beijo grande!!!

Paulo Henrique Passos disse...

Certamente é um dos antigões.
Não sei, mas acho que tu esqueceu de, no final,colocar o "não" em "mas como o e-mail NÃO voltou"

A gente se vê no sarau.

Hermes disse...

A granda sacada que eu vejo nesse texto, já tão conhecido meu(somos tão íntimos em literatura, ui ui) foi essa parte : "Aliás, espero que tudo isso tenha sido devido a apenas um dia ruim e que ela não seja assim sempre!" que corta um pouco desse dualismo que a gente encontra até mesmo nas crônicas. Que as pessoas às vezes fazem esses absurdos mas por causa desse dia ruim, e muitas vezes não tem a oportunidade de se desculpar e fica por isso mesmo. Eu quanto não me desculpo fico matutando sobre e muito recentido, é bem ruim. E o final é estranho, não entnedo bem o que a mulher queria com o moço. E isso de vendas pela internet, oq ue ela venderia? E o email voltou, como assim?Só isso que não ficou bem claro. Mas o que eu entendi é que era uma mensagem automática"obrigado por enviar e vamos responder" e ela nunca respondeu. Mas acho uma boa crônica, e melhor ainda pq não tem muita descrição ahuahaa.

Thiago César disse...

mash, blz tu kerer focar a classe humilde da sociedade e talz...
mas esse conto eu axei meio apelativoh!
parece akeles e-mail q a gente recebe q tenta tocar a gente com historias emocionantes, sei lah...
mas o final eu gostei, bem realista, sem graça, decepcionante, pois embora eu pareça pessimista, é ingenuidade pensaar que na vida nao tem disso tb.

Gi disse...

As pessoas mais pobres são sempre as mais humildes de coração e mais sinceras.

Não é tão difícil assim ver nos jornais uma pessoa bastante pobre devolver dinheiro, cheque ou outras coisas para o dono. A última vez foi um gari que devolveu um cheque q um motoboy tinha deixado cair.

Corruptos e ladrões são mesmo os mais ricos, cuja ganância os deixam mais inescrupulosos possíveis.